domingo, 27 de dezembro de 2009

Ex-amiga de Kristen faz comentários ofensivos a ela via twitter


Foto pessoal com sua ex-amiga Britni Coy, que publicou recentemente no Twitter um comentário muito desagradável sobre a participação de Kristen em The Runaways e Welcome to the Rileys.Tradução:

Minha ex-amiga como uma stripper. Que ironia.

Cena cortada de New Moom


Acredita-se que essa cena é a da volta da Itália, quando Edwrad deixa Bella em casa, para depois voltar e sbir pelas janelas antes de a Bella acordar...

Kristen Stewart: A beleza de 2009


É seguro dizer que 2009 foi certamente um ano estrelar para Kristen Stewart.
A bela morena começou sua carreira aos oito anos de idade, e desde então ja participou de mais de 30 filmes,dos quais um chamado Twilight,a lançou para o estrelato internacional.

A Saga Twilight é composta por três filmes(até agora),baseados no best-seller de romance vampírico de Stephanie Meyer,Crepúsculo,Lua Nova,e Eclipse – em que Stewart brilha como a protagonista Bella Swan.

Foi no set desses filmes que a atriz de 19 anos foi apresentada a Robert Pattinson,que interpreta Edward Cullen na popular saga.

O par, que compartilha um romance intenso na tela, já chamou a atenção de milhões de fãs ao redor do mundo,se tornando um dos casais mais populares de Hollywood.

Se você ainda não conseguiu ver o suficiente sobre a bela Kristen,você está com sorte!Ela tem quatro filmes – The Runaways,Welcome to the Rileys, Eclipse e K-11 – com lançamento previsto para 2010.

Robert Pattinson diz que Eclipse agradará aos fãs


Confiram uma nova matéria sobre Eclipse, contando o que o Rob e a Kristen dizem do próximo filme da saga:
Lua Nova acabou de ser lançado e Eclipse, o terceiro filme da série, já está sendo aguardado pelos fãs. Robert Pattinson fez questão de dizer que os fãs irão adorar o novo filme, que tem data de estreia marcada para 30 de junho de 2010.

“Acho que a Bella está um pouco mais complicada dessa vez. Isso dará um bom filme,” disse o intérprete do vampiro Edward Cullen à MTV.

Kristen Stewart também está apostando em Eclipse. “Não vejo a hora desse triângulo virar um problema de verdade,” disse a atriz. “Estávamos usando pessoas inocentes em Lua Nova, mas a coisa vai ficar bem verdadeira agora. Eu sempre apoiei a lealdade que a Bella tem para com o Edward, e perder um pouco disso vai ser interessante.”

Lua Nova bateu recordes de bilheteria no mundo todo. Somente nos EUA, no dia da estreia, arrecadou $72,7 milhões de dólares, ultrapassando Batman – O Cavaleiro das Trevas, que ano passado arrecadou $67,2 milhões de dólares em um dia.

Fama

Em uma entrevista, Robert também falou sobre como lida com a fama. Ele disse que ficou assustado na primeira vez que percebeu que era famoso. “Isso aconteceu alguns meses antes da estreia de Crepúsculo. Foi o poder que a Internet tem. Aconteceu de um dia para o outro.” “É meio estranho ser reconhecido em toda parte, mas por outro lado, eu sei que o trabalho que faço é muito importante e alimenta isso.”

Robert Pattinson eleito ídolo teen e bonitão do ano pelos leitores do EGO


Não teve para ninguém. Robert Pattinson foi eleito o famoso mais bonito de 2009 e o maior ídolo adolescente pelos internautas do EGO. E o ano foi mesmo do ator, que arrebatou corações de milhões de fãs ao redor do mundo como o vampiro Edward da saga "Crepúsculo". O ator saiu em mais de cem capas de revista durante o ano e foi eleito um dos homens mais desejados do momento por uma emissora de TV.


Na eleição do homem mais bonito, não se pode dizer que os leitores do EGO não valorizaram o produto nacional. Rodrigo Hilbert e Mateus Solano chegaram bem perto, com 1% e 2%, respectivamente, menos que o ator norte-americano.



Taylor Lautner vice na eleição de estrela 'teen'.



A saga "Crepúsculo" conquistou de vez o coração dos brasileiros. Os três melhores colocados na enquete de maior ídolo adolescente foram os protagonistas da série de filmes. Taylor Lautner, o lobisomem Jacob, foi o vice e Kristen Stewart, a Bella, ficou em terceiro.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal Robsten



Mais Boatos sobre o casal mais quente sumido do momento.Dessa vez um blog chamado Sassy Qarla publicou um artigo baseado em diversas “notícias” publicadas por revistas de fofocas sobre os planos de Robert Pattinson e Kristen Stewart para o Natal. Vejam: foi bem Nelson Rubens né?


Robert Pattinson e Kristen Stewart – ‘Problema’ natalino?

Em um outro ângulo da história, o Showbiz Spy afirma que Robert Pattinson e Kristen Stewart estão tendo uma ‘pequena discussão’ sobre onde passar o natal. Uma fonte do blog do site diz: “Rob e Kristen não conseguem decidir onde passar o feriado. Kristen está ansiosa para Rob se juntar a ela em Los Angeles, mas ele quer passar o natal em Londres – com sua família”. A fonte ainda adiciona que Robert Pattinson quer celebrar o natal de maneira mais ‘normal’ possível, após um ano tão louco.

Em notícias relacionadas, Robert Pattinson não está no meio de uma grande multidão no momento. Uma fonte da Now Magazine informa que Robert Pattinson não está pronto para uma relação séria, e tem se recusado a se comprometer com uma relação desse tipo. A fonte disse: “Ele (Robert Pattinson) apenas quer passar um tempo com amigos menos conhecidos e tirar um tempo de toda essa loucura em sua vida, já que tudo têm sido um pouco demais”.

Fãs de Robert Pattinson e Kristen Stewart ainda não sabem quais serão os planos do tão falado casal para este natal. Relatórios anteriores afirmam que as estrelas de ‘Crepúsculo’ estão planejando passar o natal em Londres, com os pais de Robert Pattinson. Uma fonte da OK Magazine afirma: “Eles (os pais de Robert Pattinson) acham que ela é perfeita para Rob, e disseram-na que gostariam que ela se juntasse a eles para a ceia de natal”.

Summit libera sinopse de Eclipse e Remember Me




Fonte: Fc Robsten (Orkut)

Ed e Jake, personagens masculinos mais desejaveis de 2009







Edward e Jacob ganharam 1° e 2° lugares respectivamente como personagens masculino mais desejavéis de 2009 pelo Extratv.


1° – Edward Cullen é o Vampiro favorito da América(e do mundo,pelo menos pra mim),interpretado por Robert Pattinson,retornou a tela grande em Lua Nova, onde sua face esculpida e séria fez muitas Twi-hards suspirarem.

2° – O Lobisomem Jacob,interpretado por Taylor Lautner fez muitas fãs trocarem de Team Edward para Team Jacob após ganhar 13 kg de músculo e aparecer sem camisa durante todo o filme.

Entenda os significados dos simbolos de Lua Nova (Clã Cullen




Heráldica é uma ciência (também uma arte) surgida na Idade Média que, entre outras coisas, estuda os brasões. Estes, por sua vez, são símbolos muito usados pela nobreza para distinguir clãs ou ramos familiares. No universo criado por Stephanie Meyer, seria natural que surgissem brasões estilosos, com significados “ocultos” em seus detalhes. Os três núcleos principais de Lua Nova possuem, cada um, seus símbolos.

Clã Cullen (imagem do brasão acima)


É o que consegue resumir mais as características de seus personagens. Possui quatro elementos básicos. O mais destacado é um leão, bem no centro, que significa a coragem. Acima do animal, tem uma mão, que faz referência à fé, à sinceridade e à justiça. Na parte de baixo, aparecem folhas de trevos, que indicam perpetuidade e longevidade, ou seja, algo que dura pro muito tempo, como a vida dos vampiros. Essas estão sobre um desenho em V (não é a letra, apenas a forma), que pode ser traduzido como proteção.

Entenda os símbolos de Lua Nova (continuação Volturi)



Volturi

Os Volturi usam pingentes com desenho de seu brasão, no qual se destaca a letra V, referência óbvia ao nome do clã. No centro, aparece duas vezes a figura de uma águia, o que significa vitória, majestade, velocidade e lembra que é um clã de caçadores. Outra imagem dupla é de uma árvore seca. A parte das raízes, que ficam sempre escondidas, indica que são guardiões do segredo dos vampiros e o tronco com galhos significa que os Volturi são a base de outros clãs. Em cima e embaixo, o medalhão é cravejado por pedras vermelhas, referência a serem guerreiros.

Entenda os significados dos símbolos de Lua Nova (Tatuagens dos lobisomens)



Lobisomens

Os garotos lobisomens da tribo Quileute não possuem um brasão, mas sim uma tatuagem. O desenho tem estilo tribal, com bastante detalhes, em forma circular. Dá para distinguir as cabeças de dois lobos e, em alguns detalhes, há semelhanças com garras e olhos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A década de Stephenie Meyer




Com o fim do ano,e década chegando muitas premiações acontecem, e dessa vez o prêmio vai para Stephenie Meyer, de acordo com o Baltimore Sun 2000-09 foi a década da nosso autora preferida.

stephenie-meyer1Nas próximas semanas, vamos rever alguns dos maiores livros e tendências da década, começando com esse pronunciamento: Declaro 2000-09 a década de Stephenie Meyer. (Esse som que você acabou de ouvir foi Nancy bater no chão.) O livro da autora de “Crepúsculo”, lançado em outubro de 2005, atingiu o topo das listas de best-seller e praticamente não saiu de lá desde então – seguido dos outros livros da série. Basta olhar a lista mais recente: Sarah Palin na parte superior, mas Meyer tem as # 2, # 3, # 4 e # 7 colocações com “Lua Nova”, “Eclipse”, “Crepúsculo” e “Amanhecer”. O que ela poderia ter feito se não tivesse esperado até metade da década pra começar sua serie?

Seus contos de amor e angústia adolescente, em um mundo de vampiros e lobisomens, têm vendido milhões de exemplares e geraram enorme filmes de sucesso – para não mencionar o império de camisetas “Team Edward”. Seu estilo de escrita foi ridicularizado por autores realizados como Stephen King. Mas seus fãs a defendem com um fervor digno de um lobisomem. E apesar de alguns pensarem que sua base de fãs é composta apenas por meninas adolescentes, muitas mulheres mais velhas adoram os livros de Meyer também. Há alguma dúvida de que ela é a sucessora de JK Rowling?

Eu vou sempre guardar meus livros da Saga, para que algum dia a minha filha possa lê-los. E que ali mesmo ela veja o poder da Saga.

Fotos do Rob Premiere HP 2005 - 2006






Produtor de "Welcome to The Rileys" fala sobre o filme




O produtor de “Welcome to The Rileys,” filme em que a Kris atua, recentemente falou sobre as possibilidades de o filme ser exibido nos cinemas, o que não é totalmente garantido lá nos EUA (ainda mais aqui no Brasil). Leia abaixo:

Rumo a Sundance, há muita reflexão. Pelo menos é isso que pareceu pelo que o produtor do novo filme de Kristen Stewart (Welcome to The Rileys), Giovanni Agnelli, falou.
“Quando a minha empresa decidiu fazer o filme, Kristen não havia feito Twilight. Ela não era a estrela mundial que é hoje,” continuou o produtor.

Ainda assim, como foi revelado, a situação financeira de WTTR ainda não é 100%.

O mercado de filmes independentes está em crise e os distribuidores não estão comprando filmes pequenos como costumavam. As pessoas não os veem como antigamente, também. Claro, tem um ou dois que se destacam a cada ano (Precious, Little Miss Sunshine), mas a maioria das pessoas não os assistem, então os produtores perdem muito dinheiro.

A distribuidora precisa estar convencida de que há público para o filme antes de comprá-lo. Existe público para o nosso filme?? Nós achamos que sim, você acha que sim, mas não sabemos o que os distribuidores pensam ainda.

Então, em outras palavras, se Welcome To The Rileys é algo que você gostaria de ver, manifeste-se! “Vamos manter o pensamento positivo, o interesse em alta, vamos continuar falando bastante e de dedos cruzados para que WTTR seja exibido em vários cinemas,” Agnelli conclui.

Taylor Lautner: A celebridade mais forte de 2009




Taylor Lautner foi eleito como “O Homem mais forte entre as celebridades de 2009“. Então com esse corpo ele, exibiu algumas de suas habilidades em artes marciais.

Confira na noticia abaixo:

O ator Taylor Lautner deixou a concorrência na poeira este ano, ganhando com 45% dos votos para o Strongest Man 2009 (O homem mais forte entre as celebridades de 2009). Embora algumas pessoas expressaram o seu desacordo, pois ele tinha 17 anos de idade no quesito, o ator de “Twilight” já ganhou duas vezes mais votos que Ryan Reynolds, seu concorrente mais próximo.

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O lançamento de ‘Lua Nova” foi um grande ano para o Team Jacob, e seus 13 quilos a mais, para que pudesse representar seu papel como Jacob, o lobo. Em poucos meses ele passou de Taylor magro para o Taylor Musculoso à sério, mostrando um pacote de oito novos visuais nas páginas da Rolling Stone. Latuner não tem motivação para ficar em forma e esse resultado é só representativo para o seu papel no filme, ele também é um ótimo e talentoso praticante das artes marciais.

A partir dos seus 6 a 13 anos de idade, Taylor começou a estudar Karatê e foi o número 1° no mundo de Black Belt Open NASKA de armas musicais, aramas tradicionais e formas tradicionais.

Lautner cresceu jogando esportes em grupo, e disse que, se não fosse a sua carreira de ator ele iria se concentrar no Futebol.

Curiosa porque Taylor levou tantos votos? Foi no Saturday Night Live, onde ele demonstrou aos fãs algumas habilidades sobre artes marciais.

Elenco reage a morte de Brittany Murfhy



Alguns dos membros do nosso elenco comentaram sobre o triste falecimento da atriz Brittany Murphy, que morreu ontem aos 32 anos de uma parada cardíaca.

Peter Facinelli twittou: “Brittany Murphy…você era ousada, corajosa e linda. Obrigado por ter sido o espírito livre que você foi, e por sempre colocar um sorriso no meu rosto.”

Dakota Fanning (a Dakota trabalhou com ela no filme Grande Menina, Pequena Mulher/Uptown Girls há alguns anos) disse: “Meus pensamentos estão com a família e amigos dela. Estou apenas muito grata por ter tido a oportunidade de trabalhar com ela.”

Charlie Bewley twittou: “Sinto muito, de verdade…Descanse em paz, Brittany.”

Fonte

Jackson Rathbone em Dread




Aqui está um artigo que fala de Dread, um filme de terror que nosso querido Jackson, o aniversáriante de hoje, fez. Segue abaixo a matéria:

Jackson Rathbone está estrelando no filme, Dread, que é o seu primeiro filme como protagonista. Pelos stills que eu vi, parece incrível!

“Este foi um filme divertido de trabalhar. É o meu primeiro papel de protagonista. Eu sempre fui um personagem a mais quando eu era uma criança no teatro, e eu fiz vários papéis em programas de televisão ou uma coisa qualquer. Mas esse é um personagem com muito desenvolvimento, muito progresso…Eu gosto de papéis que eu possa cravar meus dentes.”

Esse filme é de uma emoção psicológica que conta a história de Stephen (Rathbone), Quaid (Shaun Evans) e Cheryl (Hanne Steene), três universitários fazendo um documentário sobre as origens do medo – até que um decide que o único jeito de chegar a verdade é extraindo o pavor daqueles ao seu redor. E o que eu pensei que era mais interessante é que o gênero favorito do Jackson é terror.



“Eu sempre amei o gênero terror. Como uma criança, eu não tinha permissão para realmente assistir TV, muito menos filmes de terror. Eu venho de uma familia muito conservadora, e eu tive que fugir para assistir filmes como ‘The Terminator(O exterminador do Futuro)’, quando eu tinha 10 anos, e quando eu tinha uns 13,14, um bom amigo meu me deu um box de Geoger A. Romero com “Night of the Living Dead” e “Dar of the Dead”, eu amava aqueles filmes, mas eu tive que escondê-los debaixo da minha cama, como uma criança. Se meus pais os vissem, me teriam deixado de castigo por meses. Eles não queriam certas imagens estranhas na minha mente.”

E Jackson, sendo tão humilde, agradeceu aos seus fãs por todo seu apoio.

“Eu realmente tenho que dar todo apoio aos meu fãs, porque eles realmente foram muito favoráveis a mim. ‘Twilight’ me deu, e a vários outros atores em ‘Twilight’, uma base de fãs bem maior, e eles foram muito favoráveis para nós, e isso é o que realmente nós precisamos. Como um ator, você precisa de um público para praticar seu trabalho. Um pintor pode pintar sozinho, um fotógrafo pode tirar fotos sozinho, um músico pode tocar – mas como um ator, você precisa de alguém para te assistir, e nós não poderíamos ter um público melhor…Eu tenho sido capaz de fazer muito mais filmes por causa deles.”

Estaremos sempre apoiando você Jackson.

Ashley entre as 50 mais bonitas



O Baltimore Sun reuniu 50 das celebridades mais belas,e a Ashley Greene entrou no 50° lugar.

lnAshley Greene onde você ja viu: na telona como uma das vampiras boas da série Crepúsculo.

Porque a amamos: Ela é Alice Cullen a vampira alegre e otimista da série Crepúsculo – o que é uma agradável mudança em comparação ao resto dos vampiros!


Fonte de todas as notícias: Twilightersbrasil

Extras (Crepúsculo)




Badminton

Eu entrei no ginásio, de cabeça leve, instável. Eu me arrastei até os armários, me trocando num estado de transe, só vagamente consciente que havia outras pessoas me cercando. A realidade não me atingiu realmente até que me entregaram uma raquete. Não era pesada, mas ainda assim pareceu muito insegura na minha mão. Conseguia ver algumas das outras pessoas da classe me olhando furtivamente. O treinador Clapp mandou nos organizarmos em duplas.

Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike sobreviveram; ele veio para ficar no meu lado.

- Quer formar dupla? – ele perguntou alegremente.

- Obrigada, Mike – você não tem que fazer isso, sabe. – eu fiz uma careta.

- Não se preocupe, vou me manter fora do seu caminho. – ele sorriu. As vezes era tão fácil gostar do Mike.

Não foi suave. Eu tentei ficar longe de Mike para que ele pudesse mandar a bola em jogo, mas o treinador Clapp veio e disse para ele ficar do seu lado da quadra para eu pudesse participar. Ele ficou, observando, para reforçar suas palavras.

Com um suspiro, eu fui até o centro da quadra, segurando minha raquete para cima, ainda que cuidadosamente. A garota no outro time olhou maliciosamente quando pegou a bola – eu devia tê-la machucado durante as aulas de basquete – sacando a bola só a alguns passos da rede, direto para mim. Eu corri tropeçando para frente, mirando minha rebatida na direção da porcaria de borracha, mas esqueci de levar a rede em consideração. Minha raquete bateu nela com uma força surpreendente, saltando da minha mão, e se chocou contra minha testa antes de se desviar e golpear Mike no ombro quando ele se lançou para frente para pegar a bola que eu tinha perdido completamente.

O treinador Clapp tossiu, ou escondeu uma risada.

- Desculpe, Newton. – ele murmurou, indo embora devagar para que nós pudéssemos voltar para nossa formação anterior e menos perigosa.

- Você está bem? – Mike perguntou, massageando seu ombro, assim como eu estava esfregando a minha testa.

- Sim, e você? – eu perguntei simpática, devolvendo minha arma.

- Acho que vou sobreviver. – ele virou o braço num círculo, se certificando que ainda tinha os todos os movimentos.

- Eu vou ficar só aqui no fundo. – eu andei de volta para o canto da quadra, segurando minha raquete cautelosamente atrás das costas.
Fazendo compras com Alice

O carro era lustroso, preto e poderoso; as janelas eram pretas como as de uma limusine. O motor rugia como um grande gato enquanto nós avançávamos pela noite escura.

Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se preocupar, mas o carro forte voava para frente com perfeita precisão.

Alice sentava comigo no canto traseiro. De algum jeito, durante a noite, minha cabeça tinha acabado contra o seu pescoço de granito, seus braços gelados me envolvendo, sua bochecha pressionada contra o topo da minha cabeça. A frente de sua blusa fina de algodão estava fria e úmida com as minhas lágrimas. Hora ou outra, se a minha respiração ficava irregular, ela murmurava tranqüilizadora; em sua voz rápida e aguda, os encorajamentos pareciam música. Para me manter calma, eu me concentrei no toque de sua pele fria; era como uma conexão física com o Edward.

Os dois me asseguraram – quando eu tinha percebido, o pânico me golpeou, todas as minhas coisas ainda estavam na picape – que deixá-las para trás era necessário, algo a ver com o cheiro. Eles me disseram para não me preocupar com roupas ou dinheiro. Eu tentei confiar neles, me esforçando para ignorar o quão desconfortável eu estava nas roupas muito apertadas de Rosalie. Era uma coisa trivial.

Nas rodovias planas, Jasper nunca dirigiu o carro vigoroso, abaixo de 190 km/h. Ele parecia inteiramente inconsciente dos limites de velocidade, mas nunca vimos um carro de polícia. As únicas paradas na monotonia da viagem que fizemos foram para abastecer o carro. Eu notei vagamente que Jasper entrou para pagar em dinheiro as duas vezes.

O dia começou a nascer quando estávamos em algum lugar ao norte da Califórnia. Eu observei com olhos secos e ardentes a luz cinza deixar uma faixa no céu sem nuvens. Eu estava exausta, mas o sono tinha escapado, minha mente cheia demais de imagens perturbadoras para relaxar te a inconsciência. A expressão magoada do Charlie – o rosnado brutal do Edward, com os dentes à mostra – o olhar afiado do rastreador – a expressão fria do Laurent – o olhar morto no rosto do Edward depois que ele me beijou pela última vez; elas piscavam como slides na frente dos meus olhos, meus sentimentos se alternando entre terror e desespero.

Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse para comprar comida para mim. Mas eu sacudi a cabeça, cansada, e numa voz fraca, falei para ele continuar dirigindo.

Algumas horas depois, em um subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou suavemente com ele de novo, e ele saiu da rodovia aos sons dos meus fracos protestos. Um shopping grande era visível da rodovia, e ele foi até lá, estacionando na garagem do subsolo.

- Fique no carro – ela orientou Jasper.

- Tem certeza? – ele parecia apreensivo.

- Não vejo ninguém aqui – ela disse. Ele acenou, consentindo.

Alice pegou a minha mão e me tirou do carro. Ainda a segurando, ela me manteve ao seu lado enquanto nós andávamos pela garagem escura. Ela evitava a beirada da garagem, ficando na sombra. Eu notei como a pele dela parecia brilhar à luz do sol que refletia da calçada. O shopping estava cheio, muitos grupos de pessoas passeavam, algumas delas virando as cabeças para nos observar enquanto passávamos.

Andamos por baixo de uma ponte que cruzava desde o nível superior do estacionamento até o segundo andar de uma loja de departamentos, sempre fora da luz solar direta.

Uma vez que entramos, sob a luz fluorescente da loja, Alice chamava menos atenção – só uma garota pálida feito giz, com olhos escuros e com olheiras, de cabelo espetado e preto. Os círculos embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que dela. Nós ainda atraíamos atenção de qualquer um que olhasse na nossa direção. Imaginei o que eles pensavam quando nos viam. A delicada e dançante Alice, com seu rosto impressionante de anjo, vestida em tecidos finos que não disfarçavam sua palidez completamente, segurando minha mão, obviamente conduzindo, enquanto eu andava com dificuldade, cansada, com as minhas roupas apertadas e caras, meu cabelo embaraçado com os nós caindo pelas minhas costas.

Alice me levou sem erro até a praça de alimentação.

- O que você quer comer?

O cheiro dos fast foods gordurosos revirou o meu estômago. Mas os olhos da Alice não estavam dispostos a persuasão. Eu respondi, sem entusiasmo, um sanduíche de peru.

- Posso ir ao banheiro? – eu perguntei quando fomos para a fila.

- Ok – e ela mudou a direção, sem soltar a minha mão.

- Eu posso ir sozinha – A atmosfera comum do shopping me fez sentir o mais normal que eu me sentira desde o desastroso jogo ontem à noite.

- Desculpe, Bella, mas o Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e se ele ver que eu perdi você de vista nem que seja por um minuto… – ela foi diminuindo, sem querer contemplar as horríveis conseqüências.

Pelo menos ela esperou fora do cubículo no banheiro cheio. Eu lavei o meu rosto e as minhas mãos, ignorando os olhares assustados das mulheres ao meu redor. Tentei passar meus dedos pelo meu cabelo, mas desisti rapidamente. Alice pegou minha mãe outra vez na porta, e andamos lentamente de volta até a fila da comida. Eu estava me arrastado, mas ela não parecia impaciente comigo.

Ela me observou comer, devagar no começo, e depois mais rápido, quando meu apetite retornou. Eu tomei o refrigerante que ela me comprou tão rápido que ela me deixou por um momento – embora sem tirar os olhos de mim – para comprar outro.

- É muito mais conveniente, a comida que você come – ela comentou quando eu terminei. – mas não parece ser muito divertida.

- Caçar é mais animado, eu imagino.

- Você não tem idéia – ela abriu um largo sorriso de dentes brilhantes, e várias cabeças se viraram em nossa direção.

Depois de jogar nossa comida fora, ela me levou pelos corredores largos do shopping, seus olhos brilhando de vez em quando ela via algo que queria, me puxando com ela em cada parada. Ela parou por um momento numa boutique cara para comprar três pares de óculos escuros, dois de mulher e um de homem. Eu notei o funcionário olhar para ela com uma nova expressão quando ela lhe entregou um cartão de crédito desconhecido com marcas douradas que o cruzavam. Ela achou uma loja de acessórios onde comprou uma escova de cabelo e elásticos.

Mas ela não começou a trabalhar realmente enquanto não me levou para um tipo de loja que eu nunca freqüentava, porque o preço de um par de meias estaria fora do meu alcance.

- Você deve ser tamanho médio – Era uma afirmação, não uma pergunta.

Ela me usou como burro de carga, me carregando com uma quantidade incrível de roupas. Hora e outra eu a via pegar um tamanho extrapequeno quando escolhia algo para si mesma. As roupas que ela selecionava para si mesma era todas em materiais leves, mas de mangas compridas ou três quartos, feitas para cobrir o máximo da pele dela possível. Um chapéu preto de palha estava no topo da montanha de roupas.

A vendedora teve a mesma reação com o cartão de crédito, ficando mais gentil e chamando Alice de “senhorita”. Mas o nome que ela disse não me era familiar. Quando estávamos andando pelo shopping de novo, nossos braços cheios com as compras, ela carregando a maior parte delas, eu perguntei sobre isso.

- Do que ela te chamou?

- O cartão de crédito diz Rachel Lee. Seremos muito cuidadosos para não deixar nenhum tipo de pista para o rastreador. Vamos trocar essa sua roupa.

Eu pensei sobre isso quando ela me levou para o banheiro de novo, me empurrando até o cubículo de deficientes para que eu tivesse mais espaço para me mexer. Eu a ouvi mexendo nas malas, finalmente pendurando um vestido leve de algodão na porta para mim. Grata, eu finalmente tirei o jeans de Rosalie, muito comprido e muito apertado, a blusa que pendia em todos os lugares errados, e as joguei pela porta para ela. Ela me surpreendeu ao empurrar um par macio de sandálias por baixo da porta – quando ela comprou aquilo? O vestido caiu incrivelmente bem, o corte caro aparecendo conforme dobrava ao meu redor.

Quando eu saí do cubículo, percebi que ela estava jogando as roupas de Rosalie dentro do lixo.

- Fique com seus tênis – ela disse. Eu os coloquei em cima de uma das malas.

Voltamos para a garagem. Alice recebeu menos olhares dessa vez, ela estava tão coberta em malas que a pele dela mal era visível.

Jasper estava esperando. Ele saiu do carro quando nos aproximamos – o porta-malas estava aberto. Quando ele pegou as minhas malas primeiro, deu a Alice um olhar sarcástico.

- Sabia que devia ter ido – ele murmurou.

- Sim – ela concordou. – elas teriam adorado vocês no banheiro feminino. – Ele não respondeu.

Alice fuçou nas malas antes de colocá-las no porta-malas. Ela entregou a Jasper um par de óculos escuros, colocando um nela mesma. Me entregou o terceiro par e a escova de cabelo. E depois tirou uma blusa de manga comprida, fina e de um preto transparente, vestindo por cima de sua camiseta, a deixando aberta. Finalmente, ela colocou o chapéu preto de palha. Nela, a fantasia parecia pertencer a uma modelo. Ela juntou mais algumas roupas e, fazendo um montinho, abriu a porta de trás e fez um travesseiro no banco.

- Você precisa dormir agora – ela ordenou firmemente. Eu subi obedientemente, deitando a minha cabeça e me curvando. Estava quase dormindo quando o carro ligou.

- Você não devia ter me comprado todas essas coisas – eu murmurei.

- Não se preocupe, Bella. Durma – A voz dela era calma.

- Obrigada – eu sussurrei, e apaguei em um cochilo inquieto.

Foi a má posição do cochilo que me acordou. Eu ainda estava exausta, mas de repente nervosa quando me lembrei onde estava. Eu levantei para ver o Vale do Sol se estendendo à minha frente; a grande e larga extensão dos telhados, palmeiras, rodovias, neblina e piscinas, cercadas pelos baixos montes de pedregulhos que chamávamos de montanhas. Eu fiquei surpresa eu não sentir nenhum alivia, só uma saudade de casa irritante, das goteiras e árvores muito verdes do lugar que significava Edward para mim. Sacudi a cabeça, tentando afastar o desespero que ameaçava me tomar.

Jasper e Alice estavam conversando; conscientes, tinha certeza, que eu estava acordada de novo, mas eles não deram sinais. Suas vozes rápidas e suaves, uma aguda, outra grave, pareciam música ao meu redor. Eu consegui entender que eles estavam decidindo onde iriam ficar.

- Bella – Alice falou comigo casualmente, como se eu já fosse parte da conversa. – qual o caminho para o aeroporto?

- Fique na I-10 – eu disse automaticamente. – Vamos passar em frente.

Eu pensei nisso por um momento, meu cérebro ainda nebuloso com o sono.

- Vamos pegar algum avião? – eu perguntei.

- Não, mas é melhor ficar perto, por via das dúvidas – Ela abriu seu celular e aparentemente pediu informações. Ela falou mais devagar que o normal, perguntando por hotéis perto do aeroporto, concordando com uma sugestão, então fazendo uma pausa enquanto era transferida. Ela fez reservas por uma semana sob o nome de Christian Bower, falando o número de um cartão de crédito sem olhar para nenhum. Eu a ouvi repetindo as instruções para o bem do telefonista; tinha certeza que ela não precisava de ajuda alguma quando se tratava de memória.

A visão do celular me lembrou das minhas responsabilidades.

- Alice – eu perguntei quando ela tinha terminado. – preciso ligar para o meu pai. – Minha voz estava melancólica. Ela me entregou o telefone.

Era fim de tarde; esperava que ele estivesse no trabalho. Mas ele atendei no primeiro toque. Eu encolhi, imaginando o rosto ansioso dele no telefone.

- Pai? – eu disse hesitante.

- Bella! Onde você está, querida? – Forte alívio encheu sua voz.

- Na estrada – Nenhuma necessidade em contar para ele que tinha feito uma jornada de três dias durante a noite.

- Bella, você tem que voltar.

- Eu tenho que ir para casa.

- Querida, vamos conversar sobre isso. Você não tem que ir embora por causa de um garoto qualquer. – Eu podia dizer que ele estava sendo muito cuidadoso.

- Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar sobre algumas coisas, e aí eu decido se volto. Isso não tem nada a ver com você, ok? – Minha voz tremeu um pouco. – Eu amo você, pai. Qualquer coisa que eu decida, eu te vejo em breve. Prometo.

- Ok, Bella – a voz dele estava resignada. – Me ligue quando você chegar em Phoenix.

- Eu te ligo de casa, pai. Tchau.

- Tchau, Bells – ele hesitou antes de desligar.

Pelo menos eu estava de bem com o Charlie de novo, pensei enquanto devolvia o telefone para Alice. Ela estava me observando cuidadosamente, talvez esperando por outra crise emocional. Mas eu estava cansada demais.

A cidade familiar voava pela minha janela escura. O transito estava leve. Passamos pelas ruas rapidamente até chegar no centro da cidade, então demos a volta ao norte do aeroporto internacional Sky Harbor, virando para o sul, até Tempe. Bem do outro lado de Salt River, a uns dois quilômetros do aeroporto, Jasper saiu da rodovia quando Alice disse. Ela o direcionou facilmente através das ruas até a entrada do hotel Hilton.

Eu estava pensado que ficaríamos no Motel 6, mas eu tinha certeza que eles iriam ignorar qualquer despesa com dinheiro. Parecia que eles tinham uma reserva sem fim.

Nós paramos no estacionamento do hotel sob a sombra do longo prédio, e dois funcionários se moveram rapidamente para o lado do automóvel incrível. Jasper e Alice saíram, parecendo muito com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí desajeitadamente, dura depois das longas horas no carro, me sentindo em casa. Jasper abriu o porta-malas e os funcionários prestativos rapidamente descarregaram as malas em um carrinho. Eles eram bem treinados demais para demonstrar qualquer surpresa à nossa falta de bagagem de verdade.

Estava muito frio dentro do carro; sair para uma tarde de Phoenix, mesmo à sombra, era como colocar a cabeça dentro de um forno para assar. Pela primeira vez no dia, me senti em casa.

Jasper andou confiante pelas portas do lobby vazio. Alice ficou cuidadosamente ao meu lado, os funcionários nos seguindo ansiosos com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seu ar inconsciente de realeza.

- Bower – foi tudo o que ele disse à recepcionista com ar profissional. Ela rapidamente processou a informação, com só mínimos olhares em direção ao ídolo de cabelo dourado à sua frente, traindo sua competência serena.

Fomos guiados rapidamente à nossa enorme suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só fachada. Os funcionários descarregaram nossas malas com eficiência enquanto eu sentava fraca no sofá e Alice dançava para examinar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles quando foram embora, e o olhar que eles trocaram enquanto passavam pela porta era mais que satisfeito; era jubiloso. Então nos deixaram sozinhos.

Jasper foi até as janelas, fechando bem as cortinas. Alice apareceu e deixou cair um menu de serviço de quarto no meu colo.

- Peça algo – ela instruiu.

- Estou bem – eu disse vagarosamente.

Ela me deu um olhar frio, e pegou o menu. Resmungando algo sobre o Edward, ela pegou o telefone.

- Alice, de verdade – eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Apoiei minha cabeça no braço do sofá e fechei meus olhos.

Uma batida na porta me acordou. Eu pulei tão rápido que escorreguei do sofá para o chão e bati minha testa na mesinha de centro.

- Ai – eu disse, tonta, esfregando a minha testa.

Eu ouvi o Jasper rir uma vez, e olhei para cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando esconder o resto do seu divertimento. Alice foi atender a porta, pressionando seus lábios firmemente, os cantos de sua boca de virando.

Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minha comida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava tentadoramente ao meu redor. Alice carregou a bandeja como se tivesse sido garçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus pés.

- Você precisa de proteína – Ela explicou, levantando a tampa cinza para revelar um grande bife e uma escultura de batata decorativa. – Edward não vai ficar feliz com você se seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui – Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.

Agora que eu podia sentir o cheiro da comida, estava com fome novamente. Comi rápido, sentindo minha energia voltando conforme o açúcar achegava à minha corrente sanguínea. Alice e Jasper me ignoraram, vendo o jornal e falando tão rápido que eu não conseguia entender nenhuma palavra.

Uma segunda batida soou na porta. Eu fiquei em pé, por pouco evitando outro acidente com a bandeja quase vazia na mesinha de centro.

- Bella, você precisa se acalmar – Jasper disse, enquanto Alice abria a porta. Um membro do serviço de quarto entregou a Alice uma malinha preta com o logo Hilton e saiu silencioso. Alice a trouxe e me entregou. Eu abri e encontrei uma escova e uma pasta de dentes, e todas as outras coisas importantes que eu tinha deixando na traseira da minha picape. Lágrimas brotaram nos meus olhos.

- Vocês são tão bons pra mim – eu olhei para Alice e depois para Jasper, impressionada.

Eu tinha notado que o Jasper normalmente era o que mais tinha cuidado em manter distância de mim, então me surpreendeu quando ele veio para o meu lado e colocou a mão no meu ombro.

- Você é parte do clã agora – ele provocou, sorrindo calorosamente. Eu senti uma fraqueza de repente se infiltrando pelo meu corpo; de algum jeito, minhas pálpebras ficaram muito pesadas para segurar.

- Muito sutil, Jasper – eu ouvi Alice dizendo em um tom seco. Seus braços frios e finos passaram por baixo dos meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estava dormindo antes que ela me colocasse na cama.

Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e estava mais alerta do que eu era quando acordava. Estava escuro, mas havia lampejos de luz vindos debaixo da porta. Eu procurei ao lado da cama, tentando achar uma lamparina. Uma luz apareceu perto da minha cabeça e eu ofeguei, e então a Alice estava ali, ajoelhada ao meu lado da cama, a mão dela na lamparina que eu estava procurando feito boba na cabeceira.

- Desculpe – ela disse quando eu me joguei de volta no travesseiro, aliviada. – Jasper está certo – ela continuou. – você precisa relaxar.

- Bom, não fale isso para ele – eu resmunguei. – Se ele tentar me relaxar mais eu entrarei em coma.

Ela riu. – Você percebeu, é?

- Se ele tivesse me acertado na cabeça com uma frigideira seria menos óbvio.

- Você precisava dormir – ela encolheu os ombros, ainda sorrindo.

- E agora eu preciso de um banho, eca! – eu percebi que eu ainda estava com o vestido azul, que estava muito mais enrugado do que tinha direito de estar. Minha boca estava com um gosto estranho.

- Eu acho que você vai ficar com um roxo na testa – ela mencionou enquanto eu ia para o banheiro.

Depois de tomar banho, me senti muito melhor. Eu coloquei as roupas que a Alice tinha escolhido para mim na cama, uma camiseta verde que parecia ser feita de seda e um short de linho marrom-claro. Eu me senti culpada que as minhas roupas novas eram tão melhores que qualquer um das que eu tinha deixado para trás.

Foi ótimo finalmente fazer algo com o meu cabelo; os shampoos do hotel eram de uma marca de boa qualidade e meu cabelo ficou brilhante de novo. Demorei pra secar até que ele ficasse perfeitamente liso. Tinha um pressentimento que não iríamos fazer muita coisa hoje. Uma inspeção mais atenta ao espelho revelou uma mancha escura na minha testa. Fabuloso.

Quando eu terminei, já havia luz aparecendo por detrás das cortinas. Alice e Jasper estavam sentados no sofá, encarando pacientemente a televisão quase muda. Havia uma nova bandeja de comida na mesa.

- Coma – Alice disse, apontando firmemente para ela.

Eu obedeci, sentando no chão, e comi sem perceber que comida era. Não gostei da expressão nos rostos deles. Eles estavam muito parados. Assistiam televisão sem desviar os olhos, mesmo com os comerciais que estavam passando agora. Eu empurrei a bandeja, meu estomago abruptamente desconfortável. Alice olhou pra baixo, olhando a badeja que ainda estava cheia com um olhar descontente.

- O que há errado, Alice? – eu perguntei humildemente.

- Não há nada de errado – Ela olhou para mim com olhos grandes e honesto que eu não acreditei nem por um segundo.

- Bem, o que nós fazemos agora?

- Esperamos o Carlisle ligar.

- E ele já devia ter ligado? – eu podia ver que estava chegando perto. Os olhos de Alice foram dos meus para o telefone em cima da sua mala de couro e de volta.

- O que isso quer dizer? – minha voz tremeu, e eu lutei para a controlar. – Que ele ainda não ligou?

- Só quer dizer que ele ainda não tem nada para nos falar – Mas a voz dela estava muito equilibrada e de repente o ar ficou difícil de respirar.

- Bella – Jasper disse numa voz suspeitamente tranquilizadora- você não tem nada para se preocupar. Está completamente a salvo aqui.

- Você acha que é com isso que eu me preocupo? Eu perguntei sem acreditar.

- O que mais há? – ele perguntou, também surpreso. Ele podia sentir o teor das minhas emoções, mas ele não podia ler as razões por trás delas.

- Você ouviu o que o Laurent disse – minha voz estava baixa, mas eles podiam me escutar facilmente, é claro. – Ele disse que o James era letal. E se alguma coisa der errado, e eles se separarem? Se algo acontecer com qualquer um deles, Carlisle, Emmett… Edward… – eu engoli. – E se aquela descontrolada machucar a Carol ou a Esme… – minha voz tinha ficado mais alta, uma nota de histeria começando a surgiu. – Como eu posso viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês deveria estar se arriscando por mim -

- Bella, Bella, pare – ele me interrompeu, suas palavras fluindo depressa. – Você está se preocupando com as coisas erradas, Bella. Acredite em mim nisso – nenhum de nós corre perigo. Você já está sob muita tensão, não coloque mais sem nenhuma necessidade. Me ouça – porque eu tinha olhado para outro lado – Nossa família é forte. Nosso único medo é perder você.

- Mas por que você deviam – Alice me interrompeu, tocando minha bochecha com seus dedos frios.

- Edward esteve sozinho por quase um século. E agora ele achou você, e nossa família está completa. Você acha que algum de nós vai querer olhá-lo nos olhos pelos próximos 100 anos se ele perder você?

Minha culpa lentamente desapareceu quando eu olhei para os seus olhos escuros. Mas, mesmo quando a calma se espalhou por mim, eu sabia que não podia confiar em meus sentimentos com o Jasper presente
Emmett e o Urso

Eu estava surpresa de achar uma estranha amizade crescendo entre eu e o Emmett, especialmente uma vez que ele, uma vez, foi o mais assustadores de todos eles para mim. Tinha a ver com como nós dois tínhamos sido escolhidos para entrar na família; nós dois tínhamos sido amados – e amado de volta – enquanto ainda éramos humanos, embora muito brevemente para ele. Só Emmett lembrava – só ele realmente entendia o milagre que Edward significava para mim.

Nós falamos disso pela primeira vez uma noite que nós três estávamos sentados nos sofás claros na sala de estar, Emmett me alegrando calmamente com memórias que eram melhores que contos de fadas, enquanto Edward se concentrava no programa de culinária – ele tinha decidido que ele precisava aprender a cozinhar , para o meu espanto, e isso era difícil sem poder contar com os sentidos certos de cheiro e gosto. Afinal de contas, tinha uma coisa que ele não fazia sem dificuldade. Sua testa perfeita de enrugou quando a celebridade chef mandou temperar outro prato de acordo com o gosto. Eu reprimi um sorriso.

- Então ele tinha terminado de brincar comigo, e eu sabia que estar prester a morrer – Emmett se lembrou suavemente, enrolando a história de seus anos humanos com o conto do urso. Edward não estava prestando atenção; ele já tinha ouvido antes. – Eu não conseguia me mexer, e minha consciência estava escapando, quando eu ouvi o que eu pensei que fosse outro urso, e uma luta para ver quem ficaria com a minha carcaça, acho. De repente parecei que eu estava voando. Achei que tinha morrido, mas eu tentei abrir meus olhos mesmo assim. E então eu a vi – seu rosto ficou incrível com a memória; eu me identifique completamente. – e eu soube que estava morto. Nem me importei com a dor – lutei para manter meus olhos abertos, eu não queria perder nenhum segundo do rosto do anjo. Eu estava delirando, claro, imaginando porque não tínhamos chegado no céu ainda, pensando que deveria ser mais longe do que eu esperava. Eu continuei esperando que ela voasse. E então ela me trouxe para Deus – Ele deu sua risada grave e brincalhona. Eu podia entender muito bem que alguém pudesse fazer essa suposição.

- Eu achei que o que aconteceu depois era minha punição. Eu tinha me divertido um pouquinho demais nos meus vinte anos humanos, então não fiquei surpreso pelas chamas do inferno – Ele riu de novo, mas eu tremi. O braço do Edward se apertou ao meu redor inconscientemente. – O que me surpreendeu foi que o anjo não foi embora. Eu não entendia porque uma coisa tão linda podia ficar no inferno comigo – eu estava agradecido. Toda a vez que Deus vinha me checar, eu temia que ele ia levá-la embora, mas ele nunca levou. Eu comecei a pensar que talvez aqueles fiéis que falavam de um Deus misericordioso talvez estivessem certos, afinal. E então a dor sumiu… e eles explicaram as coisas para mim.

- Eles ficaram surpresos no pouco que eu fiquei perturbado com a coisa de ser vampiro. Mas se o Carlisle e a Rosalie, meu anjo, eram vampiros, o quão ruim podia ser? – Eu acenei, concordando completamente, enquanto ele continuava. – - Eu tive um pouco mais de dificuldade com as regras… – ele riu. – Você teve trabalho comigo no começo, não foi? – O soco de brincadeira de Emmett no ombro de Edward fez nós dois sacudirmos.

Edward bufou sem desviar os olhos da televisão.

- Então, o inferno não é tão ruim se você pode ter um anjo com você – ele me assegurou travesso. – Quando ele finalmente aceitar o inevitável, você vai se dar bem.

O punho do Edward se moveu tão rapidamente que eu nem vi o que acertou o Emmett e o fez se estatelar pelas costas do sofá. Os olhos do Edward nem deixaram a tela.

- Edward! – eu censurei, horrorizada.

- Não se preocupe, Bella – Emmett estava sereno, de volta ao seu lugar. – Eu sei onde encontrá-lo – Ele olhou por cima de mim para o perfil do Edward. – Você vai ter que colocá-la no chão alguma hora – ele ameaçou. Edward mal reclamou em resposta sem olhar para ele.

- Meninos! – a voz reprovadora de Esme veio escada abaixo.
Remix do baile estendido

- Quando você vai me contar o que está acontecendo, Alice?

- Você verá, seja paciente. – ele ordeou, sorrindo diabolicamente.

Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu estaria fora do gesso, e então eu ia ser muito firme com toda a história do serviço de chofer. Eu gostava de dirigir.

Era fim de maio, e de algum jeito a terra ao redor de Forks estava encontrando meios de ficar ainda mais verde que o comum. Era lindo, claro, e eu estava ficando mais conformada com a floresta, a maior parte disso devido ao fato que eu passava muito mais tempo nela que o usual. Não éramos amigas ainda, a natureza e eu, mas estávamos ficando mais próximas.

O céu estava cinza, mas isso era bem-vindo também. Era um cinza perolado, não estava nublado e nem chovia, quase quente o suficiente para mim. As nuvens estavam grossas e seguras, o tipo de nuvens que se tornaram agradáveis para mim, pela liberdade que elas garantiam.

Mas fora esse ambiente agradável, eu estava me sentindo irritada. Parcialmente por causa do comportamento estranho da Alice. Ela tinha insistido absolutamente num dia só de garotas nesse sábado de manhã, me levando até Port Angeles para nós irmos à manicure e pedicure, se recusando a aceitar o tom de rosa modesto que eu queria, mandando a manicure me pintar com um cintilante vermelho escuro – e indo mais longe e insistido em pintar as unhas do meu pé no gesso também.

Então ela me levou para fazer compras, embora eu só conseguisse experimentar metade de cada roupa. Contra meus vigorosos protestos, ela me comprou um par dos stilletos mais caros e impraticáveis – coisas que pareciam perigosas, que se seguravam só por grossos fitas de cetin que cruzavam pelo meu pé e se amarravam num laço no meu tornozelo. Eram de um azul profundo, e uma explicação em vão, eu tentei argumentar que não tinha nada que ia combinar com eles. Mesmo com o meu closet embaraçosamente cheio com as roupas que ela tinha comprado pra mim em Los Angeles – a maioria delas ainda muito leve para usar em Forks – eu tinha certeza de que não tinha nada naquele tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa parecida com aquela escondida em algum canto no meu armário, minhas roupas não fazia muito o estilo de saltos stilettos. Eu não fazia o estilo de saltos stilettos – não conseguia andar direito nem só de meias. Mas minha lógica incontestável era um desperdiço com ela. Ela nem respondia.

- Bom, eles não são de Biviano, mas vão ter que servir. – ela murmurava desconcertantemente, e então não falava mais enquanto soltava o cartão de crédito nos funcionários impressionados.

Ela me deu o almoço pela janela de um drive trhu de uma lanchonete, me dizendo que eu teria que comer no carro, mas se recusando a explicar a razão da pressa. Mais de uma vez eu tive que lembrá-la que a minha picape simplesmente não era capaz de ir tão rápido quanto carros esportivos, mesmo com as modificações de Rosalie, e por favor que desse um tempo para a pobre coisa. Geralmente Alice era minha chofer preferida. Ela não se importava em dirigir a meros 30 ou 40 km/h acima do limite de velocidade, enquanto outras pessoas simplesmente não aguentavam.

Mas a agenda secreta de Alice era só metade de problema, claro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque não via o rosto de Edward em quase seis horas, e isso tinha que ser um recorde por pelo menos os últimos dois meses.

Charlie tinha sido difícil, mas não impossível. Ele estava conformado com a presença constante do Edward quando ele voltava para casa, não achando nada para reclamar quando ele sentava por cima do nosso dever de casa na mesa da cozinha – ele até parecia gostar da companhia do Edward quando eles gritavam juntos assistindo jogos na ESPN. Mas ele não tinha perdido nada de sua severidade quando ele cruelmente segurava a porta aberta para o Edward, precisamente às dez da noite toda a noite durante a semana. Claro que o Charlie era completamente inconsciente da habilidade do Edward de levar seu carro para casa e voltar para a minha janela em menos de dez minutos.

Ele era muito mais agradável com Alice, algumas vezes chegava a dar vergonha. Obviamente, até eu ter trocado o gesso gigante por um mais maleável, eu precisava de uma ajuda feminina. Alice era um anjo, uma irmã; toda a noite e toda a manhã ela aparecia para me ajudar com as minha rotina diária. Charlie ficou enormemente grato de ser poupado do horror de uma filha quase adulta que precisava de ajuda para tomar banho – esse tipo de coisa estava muito além da sua zona confortável, e da minha também, no caso. Mas foi com mais que gratidão que Charlie começou a chamá-la de “anjo”, como um apelido, e a olhava com olhos espantados enquanto ela dançava sorridente pela casa pequena, a iluminando. Nenhum humano falhava em ser afetado por sua graciosidade e beleza incríveis, e quando ela deslizava pela porta toda a noite com um “Vejo você amanhã, Charlie”, e o deixava atordoado.

- Alice, vamos para casa agora? – eu perguntei agora, as duas entendendo que eu falava da casa branca perto do rio.

- Sim – ela sorriu, me conhecendo. – Mas o Edward não está lá.

Eu fiz uma careta. – Onde ele está?

- Ele tinha alguns serviços para fazer.

- Serviços? – eu repeti inexpressiva. – Alice – meu tom ficou persuasivo. – por favor me conte o que está acontecendo.

Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo bastante. – Estou me divertindo muito – ela explicou.

Quando voltamos para a casa, Alice me levou direto escada acima, para o banheiro dela que era do tamanho de um quarto. Fiquei surpresa de encontrar Rosalie lá, esperando com um sorriso celestial, atrás de uma cadeira baixa e rosa. Uma coleção de explodir a mente de ferramentas e produtos cobria todo o balcão.

- Sente – Alice comandou. Eu a considerei por um minuto, e então, decidindo que ela estava preparada para usar força se necessário, fui para a cadeira e me sentei com toda a dignidade que podia administrar. Rosalie imediatamente começou a pentear meu cabelo.

- Acho que você não vai me dizer sobre o que é isso tudo, né? – eu a perguntei.

- Você pode me torturar – ela murmurou, concentrada no meu cabelo. – mas eu nunca vou contar.

Rosalie segurou minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo que cheirava menta e laranja no meu cabelo. Alice enxugou os nós com uma toalha furiosamente, e depois jogou quase um frasco todo de spray de alguma coisa – esse cheirava pepino – nas mechas úmidas e enxugou de novo.

Elas pentearam o resto da juba rápido então; o que quer que a coisa de pepino fosse, fez as mechas se comportarem. Eu talvez fosse emprestar um pouco daquilo. Então cada uma pegou um secador e começou a trabalhar.

Conforme os minutos passavam, e elas continuavam a achar novas mechas que pingavam, seus rostos começaram a ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Algumas coisas nem vampiros conseguiam acelerar.

- Ela tem um monte de cabelo – Rosalie comentou numa voz ansiosa.

- Jasper – Alice chamou claramente, porém sem gritar. – Me ache outro secador!

Jasper veio ao resgate delas, se algum jeito chegando com outros dois secadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente distraído, enquanto elas continuaram a trabalharam com os delas.

- Jasper… – eu comecei esperançosa.

- Desculpe, Bella. Não estou autorizado a dizer nada.

Ele escapou agradecido quando finalmente tudo estava seco – e armado. Meu cabelo ficou uns 7 centímetros acima da minha cabeça.

- O que vocês fizeram comigo? – eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram, pegando uma caixa de babyliss.

Tentei convencê-las que meu cabelo não enrolava, mas elas me ignoraram, empapando cada mecha em uma coisa amarela antes de colocarem no cilindro quente.

- Você encontrou sapatos? – Rosalie perguntou intensamente enquanto elas trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.

- Sim – são perfeitos. – Alice ronronou com satisfação.

Eu vi Rosalie pelo espelho, acenando como se um grande peso tivesse sido tirado de sua mente.

- Seu cabelo está bonito – eu notei. Não que não era sempre ideal – mas ela tinha prendido essa tarde, criando uma coroa de cachos dourados e macios em cima de sua cabeça perfeita.

- Obrigada – ela sorriu. Elas tinham começado a segunda rodada de babyliss agora.

- O que você acha de maquiagem? – Alice perguntou.

-É um tormento – eu tentei. Elas me ignoraram.

- Ela não precisa de muita – a pele dela é melhor limpa. – Rosalie meditou.

- Batom, peloe menos – Alice decidiu.

- E rímel e delineador também – Rosalie acrescentou. – só um pouco.

Eu suspirei alto. Alice riu. – Seja paciente, Bella. Estamos nos divertindo.

- Bom, se vocês estão… – eu murmurei.

Elas terminaram de prender todos os cachos bem apertados e inconfortáveis na minha cabeça.

- Vamos vesti-la – a voz de Alice tremeu de expectativa. – Ela não esperou eu sair do banheiro com as próprias pernas. Ao invés ela me levantou e me carregou para o quarto grande e branco de Rosalie e Emmett. Em cima da cama tinha um vestido. Azul profundo, é claro.

- O que você acha? – Alice perguntou, estridente.

Essa era uma boa pergunta. Tinha alguns babados, aparentemente feito para ser usado baixo e sem ombros, com mangas longas e soltas que se fechavam nos pulsos. O tecido do corpete era cercado por outro tecido azul, pálido e florido, que dobrava para formar um fino franzido no lado esquerdo. O material do tecido florido era longo nas costas, mas aberto na frente em várias camadas de renda macia, clareando o tom conforme eles desciam para a bainha.

- Alice – eu choraminguei. – Não posso usar isso

- Por quê? – ela exigiu numa voz dura.

- A parte de cima é completamente transparente!

- Isso vai por baixo – Rosalie segurou a peça azul clara, de aparência sinistra.

- O que é isso? – eu perguntei temerosa.

- É um espartilho, bobinha – Alice disse, impaciente. – Agora você vai colocá-lo, ou eu preciso chamar o Jasper e pedir pra ele segurar você enquanto eu coloco? – ela ameaçou.

- Era pra você ser minha amiga – eu acusei.

- Seja boazinha, Bella – ela suspirou. – Eu não me lembro de ser humana e estou tentando ter uma diversão substituta aqui. Além do mais, é para o seu bem.

Eu reclamei e fiquei vermelha muitas vezes, mas não demorou muito tempo para elas me colocarem no vestido. Eu tinha que admitir, o espartilho tinha suas vantagens.

- Nossa – eu tomei fôlego. – Eu tenho um colo.

- Quem diria – Alice riu, encantada com seu trabalho. Mas eu não estava completamente convencida.

- Você não acha que esse vestido é um pouco… não sei… muito moderna para Forks? – eu perguntei hesitante.

- Acho que as palavras que você está perguntando são alta costura – Rosalie riu.

- Não é para Forks, é para o Edward – Alice insistiu. – É exatamente certo.

Elas me levaram de volta para o banheiro então, soltando os cachos com os dedos voando. Para o meu choque, cascadas de cabelo caíram. Rosalie puxou a maioria deles para cima, cuidadosamente os virando num rabo-de-cavalo que caíram numa linha grossa nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintou uma fina risca preta ao redor dos meus olhos, passou rímel e pintou minha boca atentamente com um batom vermelho escuro. Então ela lançou-se para fora do quarto e retornou prontamente com os sapatos.

- Perfeitos – Rosalie suspirou quando Alice os levantou para ser admirados.

Alice amarrou o sapato mortal com habilidade, e então olhou para o meu gesso com um olhar reflexivo.

- Acho que nós fizemos o possível – ela sacudiu a cabeça tristemente. – Você não acha que o Carlisle nos deixaria…?

- Duvido – Rosalie respondeu seca. – Alice suspirou.

As duas levantaram as cabeças então.

- Ele voltou – Eu soube a qual “ele” elas se referiam, e eu senti fortes borboletas no meu estômago.

- Ele pode esperar. Tem mais uma coisa importante – Alice disse firme. Ela me levantou de novo – uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele sapato – e me carregou para o quarto dela, onde me colocou gentilmente no chão em frente ao seu espelho grande, de moldura de ouro e estendido.

- Pronto – ela disse. – Vê?

Eu olhei a estranha no espelho. Ela parecia bem alta no sapato de salto alto, com a longa e estreita linha do vestido apertado ajudando nessa ilusão. O espartilho decotado – onde a incomum e impressionante linha do busto chamou minha atenção de novo – deixava o pescoço dela muito longo, assim como a coluna de cachos brilhantes que desciam pelas suas costas. O azul profundo do tecido era perfeito, destacando o tom de creme da sua pele de marfim, o rosa da maquiagem em suas bochechas. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir.

- Ok, Alice – eu sorri. – Eu vejo.

- Não se esqueça – ela ordenou.

Ela me levantou outra vez e me carregou para o topo das escadas.

- Se vire e feche os olhos! – ela mandou para o começo das escadas. – E fique fora da minha cabeça – não estrague isso.

Ela hesitou, descendo mais devagar que o normal pela escada até que ela pudesse ver que ele tinha obedecido. E então ela voou pelo resto do caminho. Edward estava parado na porta, de costas, muito alto e escuro – eu nunca o tinha visto usando preto antes. Alice de colocou de pé, amaciando as camadas do meu vestido, virando um cacho no lugar e então ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano para assistir. Rosalie seguiu para sentar com ela na aduciência.

- Posso olhar? – a voz dele estava intensa de ansiedade – fez meu coração bater irregular.

- Sim… agora – Alice direcionou.

Ele se virou imediatamente, então congelou, seus olhos cor de topázio arregalados. Eu podia sentir o calor subindo pelo meu pescoço e colorindo minhas bochechas. Ele estava maravilhoso; senti uma fagulha do velho medo, de que ele fosse só um sonho, que não era real. Ele estava usando um smoking, e pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado. Eu olhei para ele com uma descrença apavorada.

Ele andou lentamente na minha direção, hesitando um passo quando me alcançou.

- Alice, Rosalie… obrigado – ele suspirou sem tirar os olhos de mim. Ouvi Alice rir de prazer.

Ele deu mais um passo, colocando uma mão fria embaixo do meu queixo, e parando para colocar os lábios na minha garganta.

- É você – ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e havia flores brancas em sua outra mão.

- Frésia – ele me informou enquanto as colocava nos meus cachos. – Completamente redundante, considerando a fragrância, claro – ele foi para trás, me olhando de novo. Sorriu seu sorriso de parar o coração. – Você está absurdamente linda.

- Você roubou minha fala – manti minha voz o mais leve que eu podia. – Justo quando eu me convenço de que você é real de verdade, você aparece vestido assim e eu fico com medo de que estou sonhando de novo.

Ele me levantou para seus braços. Ele me segurou perto de seu rosto, seus olhos queimando que me colocou ainda mais perto.

- Cuidado com o batom! – Alice mandou.

Ele riu com rebeldia, mas deixou sua boca cair para o espaço acima da minha clavícula.

- Você está pronta para ir? – ele perguntou.

- Alguém vai me dizer que ocasião é?

Ele riu outra vez, olhando por cima do ombro para suas irmãs. – Ela não adivinhou?

- Não – Alice deu uma risada. Edward riu junto, satisfeito. Fiz uma careta.

- O que estou perdendo?

- Não se preocupe, você vai descobrir daqui a pouco – ele me garantiu.

- Coloque-a no chão, Edward, para que eu possa tirar uma foto – Esme estava descendo a escada com uma câmera prateada na mão.

- Fotos? – eu murmurei, quando ele me equilibrou gentilmente no meu pé bom. Estava começando a ter um mau pressentimento com essa coisa toda. – Você vai aparecer no filme? – eu perguntei sarcasticamente.

Eu sorriu para mim.

Esme tirou várias fotos de nós, até que o Edward ainda rindo insistiu que iríamos nos atrasar.

- Nos vemos lá – Alice disse enquanto ele me carregava até a porta.

- Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja? – me senti um pouco melhor.

- Com Jasper, e Emmett e Rosalie.

Minha testa enrugou de concentração quando eu tentei desvendar o segredo. Ele abafou o ris pela minha expressão.

- Bella – Esme me chamou. – Seu pai está no telefone.

- Charlie? – Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone, mas ele o agarrou quando ela tentou me entregar, me segurando para longe sem esforço com um braço.

- Hey! – eu protestei, mas ele já estava falando.

- Charlie? Sou eu. O que há de errado? – ele parecia preocupado. Meu rosto empalideceu. Mas então a expressão dele ficou divertida – e subitamente perversa.

- Dê o telefone para ele, Charlie – deixe-me falar com ele – O que quer que estivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais para Charlie estar em algum perigo. Eu relaxei.

- Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen – a voz dele estava muito amigável, na superfície. Eu a conhecia o bastante para pegar o tom de ameaça. O que o Tyler estava fazendo na minha casa? A verdade horrorosa começou a me atingir.

- Desculpe se houve algum tipo de erro de comunicação, mas a Bella não está disponível esta noite – O tom do Edward mudou, a ameaça em sua voz de tornou muito mais evidente quando ele continuou. – Para ser honesto, ela estará indisponível todas as noites, para qualquer um que não seja eu mesmo. Sem ofensa. E sinto muito por sua noite – ele não parecia sentir nenhum pouco. Então fechou o telefone, um sorriso enorme no rosto.

- Você está me levando para a formatura! – eu acusei furiosamente. Meu rosto e pescoço ficaram vermelhos de ódio. Eu podia sentir as lágrimas produzidas pela raiva começando a encher meus olhos.

Ele não estava esperando a força da minha reação, isso era claro. Ele juntou os lábios e seus olhos escureceram.

- Não seja difícil, Bella.

- Bella, todos nós vamos – Alice encorajou, de repente no meu ombro.

- Por que você está fazendo isso comigo? – eu exigi.

- Será divertido – Alice ainda estava muito otimista.

Mas Edward se curvou para sussurrar no meu ouvido, sua voz de veludo séria. – Você só é humana uma vez, Bella. Me distraia.

Então ele liberou total força de seus olhos dourados em mim, derretendo minha resistência com o calor deles.

- Ótimo – eu fiz um biquinho, incapaz de fazer uma cara tão feia como eu teria gostado. – Eu vou por bem. Mas você verá – eu avisei sinistramente – essa é a má sorte com que você tem se preocupado. Provavelmente vou quebrar a outra perna. Olha esse sapato! É um armadilha mortal! – eu estique minha perna boa como evidencia.

- Hmmm – ele olhou para a minha perna por mais tempo do que o necessário, depois olhou para Alice com os olhos brilhantes. – De novo, obrigado.

- Vai chegar atrasado na casa do Charlie – Esme o lembrou.

- Certo, vamos – ele me girou pela porta.

- Charlie está por dentro disso? – eu perguntei entre dentes.

- Claro – ele sorriu.

Eu estava preocupada, então não notei num primeiro momento. Só estava vagamente consciente do carro prata e achei que era o Volvo. Mas então ele parou para me colocar no que achei que era o chão.

- O que é isso? – eu perguntei, surpresa em me encontrar em um cupê. – Onde está o Volvo?

- O Volvo é o meu carro de todo o dia. – ele me disse cuidadosamente, apreensivo que eu talvez fosse surtar de novo. – Esse é o carro das ocasiões especiais.

- O que o Charlie vai pensar? – eu balancei a cabeça, desaprovadora, enquanto ele entrava e ligava o motor. Ele rugiu.

- Ah, a maioria da população de Forks pensa que o Carlisle é um ávido colecionador de carros – Ele acelerou pela floresta em direção à rodovia.

- E ele não é?

- Não, esse é mais meu hobby. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar mais com os interiores deles do que dirigi-los. Ela trabalhou bastante nesse aqui para mim.

Eu ainda estava imaginando o porquê de voltarmos para a casa do Charlie quando ele estacionou na frente dela. A luz da varanda estava acesa, embora ainda nem fosse pôr-do-sol. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu comecei a corar, me perguntando se a primeira reação do meu pai com relação ao vestido seria mesma que a minha. Edward deu a volta no carro, devagar para ele, para abrir a minha porta – confirmando as minhas suspeitas de que o Charlie estava observando.

Então, quando o Edward estava me levantando do carro, Charlie – o que era muito difícil de fazer – saiu para o jardim para nos receber. Minhas bochechas queimaram; Edward notou e me olhou curioso. Mas eu nem precisava ter me preocupado. Charlie nem me viu.

- Isso é um Aston Martin? – ele perguntou a Edward numa voz reverente.

- Sim – o Vanquish – Os cantos de sua boca se viraram, mas ele os controlou.

Charlie soltou um assobio baixo.

- Não quer dar a ela uma tentativa? – Edward segurou a chave.

Os olhos do Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou para o Edward sem acreditar – colorido por um pequeno sinal de esperança.

- Não – ele disse, relutante. – O que o seu pai diria?

- Carlisle não vai se importar nenhum pouco – Edward disse sincero. – Vai em frente – Ele pressionou a chave na mão bem disposta de Charlie.

- Só uma voltinha então… – Charlie já estava alisando o pára-choque com uma mão.

Edward me ajudou a mancar até a porta da frente, me levantando quando estávamos dentro, e me carregando até a cozinha.

- Funcionou bem – eu disse. – Ele nem teve chance de surtar com o vestido.

Edward piscou. – Não pensei nisso – ele admitiu. Os olhos dele passaram pelo meu vestido de novo com uma expressão crítica. – Acho que foi bom não termos pego a picape, clássica ou não.

Eu desviei os olhos sem vontade do seu rosto por tempo o suficiente para notar que a cozinha estava escura. Tinham velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas e brancas. A mesa velha estava coberta com uma toalha grande e longa, assim como duas cadeiras.

- É nisso que você esteve trabalhando o dia todo?

- Não – isso levou só um segundo. Foi a comida que levou o dia todo. Eu sei que você acha que restaurantes chiques desnecessários, não que existam muitas escolhas que se encaixem nessa categoria por aqui, mas decidi que você não podia reclamar sobre a sua própria cozinha.

Ele me sentou em uma das cadeiras envoltas no pano branco, e começou a tirar coisas do forno e da geladeira. Notei que só tinha um lugar preparado.

- Não vai alimentar o Charlie também? Ele vai voltar pra casa alguma hora.

- Charlie não agüentava mais comer outro pedaço – quem você achou que foi meu degustador? Tive que ter certeza de que tudo isso fosse comestível – Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisas que pareciam muito comestíveis. Suspirei.

- Ainda está brava? – Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa para que pudesse sentar ao meu lado.

- Não. Bem, sim, mas não no momento. Só estava pensando – aí se vai, a única coisa que eu podia fazer melhor que você. Está com uma cara ótima – eu suspirei outra vez.

Ele riu. – Você nem experimentou – seja otimista, talvez esteja horrível.

Eu deu uma mordida, parei, e fiz uma careta.

- Está horrível? – ele perguntou, chocado.

- Não, está deliciosa, naturalmente.

- Que alívio – ele sorriu, tão lindo. – Não fique preocupada, ainda há muitas coisas em que você é melhor.

- Fale só uma.

Ele não respondeu na hora, só passou seus dedos frios na linha da minha clavícula, sustentando meu olhar com seus olhos ardentes até que eu senti minha pele queimar e ficar vermelha.

- Tem isso – ele murmurou, tocando minha bochecha escarlate. – Nunca vi ninguém corar tão bem como você.

- Maravilha – eu olhei com cara feia. – Reações involuntárias – algo de que eu possa ter orgulho.

- Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço.

- Corajosa?

- Você passa todo o seu tempo livre na companhia de vampiros; isso exige alguns nervos. E você não se preocupa em se colocar a uma proximidade arriscada dos meus dentes…

Eu sacudi a cabeça. – Sabia que você não ia conseguir achar nada.

Ele riu. – Estou falando sério, sabe. Mas não faz mal. Coma – ele pegou meu garfo, impaciente e começou a me alimentar. A comida estava toda perfeita, lógico.

Charlie voltou para casa quando eu estava quase acabando. Observei sua cara cautelosamente, mas minha sorte ainda estava presente, ele ainda estava embasbacado com o carro para notar como eu estava vestida. Ele entregou as chaves de volta para Edward.

- Obrigado, Edward – ele sorriu sonhador. – Que carrão.

- Não por isso.

- Como tudo ficou? – Charlie olhou meu prato vazio.

- Perfeito – eu suspirei.

- Sabe, Bella, talvez seja melhor você deixá-lo praticar sua culinária para nós outras vezes – ele aconselhou.

Dei um olhar zangado para Edward. – Tenho certeza que ele vai praticar, pai.

Não foi até nos chegarmos a porta que o Charlie acordou completamente. Edward estava com os braços ao redor da minha cintura, por equilíbrio e suporte, enquanto eu avançava com meu sapato instável.

- Hm, você está… muito adulta, Bella – eu podia ouvir o começo da desaprovação paterna se espalhando.

- Foi a Alice que me vestiu. Não dei muita opinião em nada.

Edward deu uma risadinha tão baixa que só eu escutei.

- Bom, se foi a Alice… – sua voz foi morrendo, e ele de algum jeito ficou mais tranquilo. – Você está bonita, Bella. Ele fez uma pausa, um brilho malicioso em seus olhos. – Então, devo esperar mais rapazes de terno aparecerem na minha porta hoje?

Eu gemi e Edward abafou o riso. Como alguém podia ser tão cego quanto o Tyler, eu não podia imaginar. Não era como se eu e Edward fossemos exatamente secretos na escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele me carregava para todas as aulas, eu sentava com ele e sua família no almoço todos os dias e ele não era tímido em me beijar na frente das testemunhas também. Tyler claramente precisava de ajuda profissional.

- Espero que sim – Edward sorriu para o meu pai. – Tem uma geladeira cheia de sobras – dia a eles para se servirem.

- Acho que não – aqueles são meus – Charlie sussurrou.

- Anote os nomes para mim, Charlie – o traço de ameaça só era audível para mim.

- Ah, chega! – eu ordenei.

Graças a Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.

Extras (Lua Nova)



Narcóticos

Eu desmoronei no meu travesseiro, sufocando, minha cabeça girando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era por causa dos remédios ou do beijo. Algo ficou rondando a minha memória, vago, nos cantos…

- Desculpe – ele disse, e estava sem fôlego também. – Isso passou dos limites.

Para a minha surpresa, eu ri. – Você é engraçado – eu murmurei, e ri novamente.

Ele franziu a testa para mim no escuro. Parecia tão sério. Era engraçado demais.

Eu cobri minha boca para abafar a risada para que o Charlie não escutasse.

- Bella, você já tinha tomado Percocet antes?

- Acho que não – eu ri. – Por quê?

Ele revirou os olhos, e eu não conseguia parar de rir.

- Como está o seu braço?

- Não sinto nada. Ele ainda está aí?

Ele suspirou enquanto eu dava risada. – Tente dormir, Bella.

- Não, eu quero que você me beije de novo.

- Você está superestimando meu autocontrole.

Eu dei outra risada contida. – O que está te incomodando mais, meu sangue ou o meu corpo? – Minha pergunta me fez rir.

- É um empate – ele sorriu sem vontade. – Nunca a vi alterada. Você fica muito interessante.

- Não estou alterada – eu tentei evitar os risinhos para provar.

- Durma – ele sugeriu.

Eu percebi que estava me fazendo de tonta, o que não era muito incomum, mas ainda era vergonhoso, então tentei seguir o conselho dele. Coloquei minha cabeça em seu ombro outra vez e fechei meus olhos. Uma vez ou outra risada escapava. Mas elas ficaram menos freqüentes quando os remédios me acalmaram até eu ficar inconsciente.

Me senti completamente péssima de manhã. Meu braço queimava e minha cabeça latejava. Edward disse que eu estava de ressaca, e recomendou Tylenol ao invés de Percocet antes de beijar a minha testa e sair pela janela.

Não ajudou minha perspectiva que o rosto dele estava indiferente e remoto. Eu estava com muito medo das conclusões a que ele podia ter chegado durante a noite, enquanto me via dormir. A ansiedade pareceu aumentar a intensidade das dores na minha cabeça.

Eu tomei duas doses do Tylenol, jogando o frasquinho de Percocet na cesta de lixo do banheiro.
A bolsa de estudos

Cena um: um dia depois da Bella ter assistido ao filme de zumbi com a Jéssica.

Eu ainda sentia falta de Phoenix em raras ocasiões, quando provocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu pagamento. O que eu não daria para a conveniência de um caixa eletrônico. Ou pelo menos o anonimato de um estranho atrás do balcão.

- Boa tarde, Bella – a mãe da Jéssica me cumprimentou.

- Oi, Sra. Stanley.

- Foi tão bom que você pôde sair com a Jéssica a noite passada. Faz bastante tempo – ela estalou a língua para mim, sorrindo para fazer o som mais amigável. Algo na minha expressão devia estar errado, porque o sorrido de repente murchou, e ela passou a mão, nervosa, pelo cabelo, onde ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão enrolado quanto o da Jéssica, e caía numa disposição dura de cachos rígidos.

Eu sorri de volta, percebendo que foi um segundo tarde demais. Meu tempo de reação estava enferrujado.

- É – eu disse, num tom que esperava que fosse sociável. – Eu estive muito ocupada, sabe. Escola… trabalho… – eu lutei pra achar mais alguma coisa para acrescentar a minha lista curta, mas não achei nada.

- Claro – ela sorriu mais calorosamente, provavelmente feliz que minha resposta parecia de algum jeito normal e bem ajustada.

De repente me ocorreu que talvez eu não estivesse enganada quando pensava que essa fosse a razão por trás do sorriso dela. Quem sabe o que a Jéssica tinha falado pra ela sobre a noite passada? O que quer que tenha sido, não era totalmente confirmado. Eu era a filha da ex excêntrica do Charlie – insanidade podia ser genético. Associada com os doidos da cidade; eu pulei essa, me encolhendo. Vítima de um coma ambulante. Eu decidi que havia um belo dum motivo para eu ser doida, mesmo sem contar as vozes que eu escutava na minha cabeça agora, e me perguntei se a Sra. Stanley realmente pensava isso.

Ela devia ter visto a reflexão nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, para as janelas atrás de mim.

- Trabalho – eu repeti, chamando sua atenção outra vez enquanto colocava meu cheque no balcão. – Que é a razão de eu estar aqui.

Ela sorriu de novo. O batom dela estava sumindo conforme o dia passava, e era claro que ela tinha feito o desenho maior do que seus lábios eram de verdade.

- Como estão as coisas nos Newton? Ela perguntou alegremente.

- Bem. A temporada está começando a esquentar – eu respondi automaticamente, embora ela passasse na frente do estacionamento da loja Olympic de Equipamentos todo dia – ela já devia ter visto os carros desconhecidos. Ela provavelmente conhecia os altos e baixos do negócio de mochileiros melhor do que eu.

Ela acenou distraída enquanto digitava no computado à sua frente. Meus olhos vagaram através do balcão escuro, com suas linhas laranja brilhantes, com os enfeites nos cantos. As paredes e o tapete tinham sido trocados para um cinza mais neutro, mas o balcão era a prova da antiga decoração do prédio.

- Hmmm – O murmúrio da Sra. Stanley estava um tom mais alto que o normal. Eu olhei de volta para ela, só meio interessada, imaginando se tinha alguma aranha na mesa que a tinha assustado.

Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Seus dedos sem se mover agora, a expressão dela surpresa e desconfortável. Eu esperei, mas ela não disse mais nada.

- Há algo errado? – Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?

- Não, não – ela sussurrou rapidamente, olhando para mim com um brilho estranho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Me lembrou da Jessica quando tinha alguma fofoca nova que estava morrendo para contar.

- Você gostaria de uma cópia do seu saldo? – A Sra. Stanley perguntou ansiosa. Não era um hábito meu – minha conta crescia tão devagar e previsivelmente que não era difícil fazer as contas na minha cabeça. Mas a mudança no tom dela me deixou curiosa. O que tinha na tela do computador que a deixou tão fascinada?

- Claro – eu concordei.

Ela apertou uma tecla e a impressora cuspiu um documento pequeno.

- Aqui está – ela tirou o papel com tanta vontade que rasgou na metade.

- Opa, desculpe por isso – ela deu a volta no balcão, sem encontrar meu olhar curioso, até que encontrasse uma fita crepe. Ela juntou os dois pedaços e me entregou.

- Er, obrigado – eu murmurei. Com o papel em mãos, eu me virei para sair, olhando rápido para ver se conseguia adivinhar qual era o problema da Sra. Stanley.

Eu achava que a minha conta devia ter US$ 1535,00. Estava errada, tinha US$ 1535, 60.

E também tinha 20 mil dólares a mais.

Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava com 20 mil dólares a mais antes do meu depósito de hoje, que tinha sido feito corretamente.

Por um breve momento eu considerei fechar minha conta imediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando, com olhos vivos e interessados.

- Houve algum tipo de erro no computador, Sra. Stanley – eu disse a ela, entregando o pedaço de papel. – Só devia ter US$ 1535.

Ela riu conspiratoriamente. – Eu achei que era meio estranho.

- Nos meus sonhos, NE? – eu ri de volta, impressionada com a normalidade do meu tom.

Ela digitou ligeira.

- Vejo o problema aqui… mostra um depósito feito há três semanas de 20 mil dólares de… hmmm, outro banco, me parece. Eu imagino que alguém tenha colocado os números errados.

- Vou me encrencar muito se fizer uma retirada? – eu provoquei.

Ela riu distraída enquanto continuava a digitar.

- Hmmm – ela disse de novo, sua testa franzindo em três rugas fundas. – Parece que foi uma transferência internacional. Não recebemos muitas dessas. Sabe o quê? Vou pedir para a Sra. Gerandy olhar isso aqui… – a voz dela foi sumindo enquanto ela se afastava do computador, seu pescoço se espichando para olhar a porta atrás dela. – Charlotte, está ocupada? – ela chamou.

Não houve resposta. A Sra. Stanley ignorou o silencio e andou até a porta dos fundos onde os gabinetes deveriam estar.

Eu a olhei por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e encarei sem ver as janelas, observando a chuva cair pelo vidro. A chuva caía em jorros imprevisíveis, por vezes pingando para os lados. Eu não contei o tempo que fiquei esperando. Eu tentei deixar minha mente vagar, neutra, não pensando em nada, mas eu não conseguia retornar ao estado de semi consciência.

Eventualmente eu escutei as vozes atrás de mim de novo. Eu me virei e vi a Sra. Stanley e a esposa do Dr. Gerandy vindo até a sala da frente com o mesmo sorriso educado nos dois rostos.

- Me desculpe sobre isso, Bella – Sra. Gerandy disse. – Eu consigo arrumar isso com um simples e curto telefonema. Você pode esperar se quiser. – Ela fez um gesto para a fileira de cadeiras contra a parede. Parecia que elas eram do conjunto de uma mesa de jantar de alguém.

- Ok – eu concordei. Andei até as cadeiras e sentei bem no meio, de repente desejando que tivesse um livro. Não tinha lido nada por algum tempo, fora da escola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapacearia com notas prontas. Era um alívio estar trabalhando com A Revolução dos Bichos por hora. Mas tinha que ter mais livros seguros. Thrillers policiais. Assassinatos. Mistério. Assassinatos terríveis não eram um problema; contanto que não houvesse nenhum sub-trama com envolvesse olhos brilhantes e romance.

Demorou tanto que eu fiquei irritada. Estava entediada de ficar olhando para a sala cinza, sem nenhum quadro para aliviar a inexpressividade das paredes. Não conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela mexia em uma pilha de papeis, parando uma hora ou outra para digitar algo no computador – ela olhou para mim uma vez, e quando pegou meu olhar, pareceu desconfortável e deixou cair um arquivo. Eu podia ouvir a Sra. Gerandy sussurrando, a voz dela indo e vindo da sala dos fundos, mas não era clara o bastante para falar qualquer coisa além de que ela tinha mentido sobre o telefonema ser curto. Estava demorando tanto que era impossível para qualquer pessoa evitar de deixar a mente vagar por aí, e se isso não terminasse logo, eu não seria capaz de evitar também. Eu teria que pensar. Entrei em pânico de novo, tentando encontrar um pensamento seguro.

Fui sala pela volta da Sra. Gerandy. Eu sorri agradecida para ela quando passou pela porta, seu cabelo grosso e claro chamando a minha atenção.

- Bella, se importaria de se juntar a mim? – ela perguntou, e eu percebi que ela estava com um telefone pressionado contra sua orelha.

- Claro – eu murmurei quando ela desapareceu.

A Sra. Stanley tinha destrancado a metade da porta no final do balcão para me deixar passar. O sorriso dela estava ausente, e ela não encontrou meu olhar. Eu tinha certeza absoluta que ela estava planejando em escutar a conversa.

Minha mente correu pelas possibilidades enquanto eu ia para o gabinete. Alguém estava desviando dinheiro através da minha conta. Ou talvez o Charlie estivesse aceitando subornos e eu estava estragando o disfarce dele. Mas quem teria esse tanto de dinheiro para subornar o Charlie? Talvez o Charlie estivesse na máfia, aceitando subornos, e usando a minha conta para lavar dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar o Charlie na máfia. Talvez fosse o Phil. Afinal eu não conhecia muito bem o Phil, conhecia?

A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e acenava com o queixo para uma cadeira de metal que estava na frente de sua mesa. Ela estava rabiscando rapidamente no verso de um envelope. Eu sentei, me perguntando se o Phil tinha um passado negro, e se eu ia para a cadeia.

- Obrigada, sim. Bem, acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda – a Sra. Gerandy deu um sorriso antes de desligar. Ela não parecia brava ou triste. Mais animada e confusa. O que me lembrou da Sra. Stanley na outra sala. Eu brinquei com a idéia de assustá-la por um segundo.

Mas a Sra. Gerandy falou.

- Bom, eu acho que tenho noticias muito boas para você… embora eu não tenha idéia porquê você ainda não ficou sabendo nada disso – Ela me olhou criticamente, como se esperasse que eu batesse na testa e dissesse ”ah, AQUELES vinte mil dólares! Fugiu da minha mente completamente!”

- Boas notícias? – a ficha caiu. As palavras implicavam que esse erro era complicado demais para ela resolver, e ela estava com a impressão de que eu estava mais rica do que há alguns instantes.

- Bom, se você não sabe mesmo… então parabéns! Você foi premiada com um bolsa de estudos da… – ela olhou para baixo e leu suas anotações. – Fundação Pacífica do Noroeste.

- Uma bolsa de estudos? – eu repeti sem acreditar.

- Sim, não é emocionante? Meu Deus, você vai poder ir para qualquer faculdade que quiser!

Foi naquele exato momento, enquanto ela ria feliz com a minha boa sorte, que eu descobri exatamente de onde aquele dinheiro tinha vindo. Fora o ataque de raiva repentino, a suspeita, o ultraje e a dor, eu tentei falar calmamente.

- Uma fundação que deposita uma bolsa de estudos de vinte mil dólares direto na minha conta – eu notei. – Ao invés de pagar na minha escola. Sem poder ter certeza alguma que eu use o dinheiro para pagar a faculdade.

Minha reação a deixou confusa. Ela pareceu ficar ofendida com as minhas palavras.

- Seria muito insensato não usar esse dinheiro para o propósito que foi dado, Bella, querida. Essa é uma oportunidade única.

- É claro – eu disse amargamente. – E essa Fundação Pacífica do Noroeste menciona porquê eles me escolheram?

Ela olhou para as notas de novo, suas sobrancelhas ligeiramente erguidas pelo meu tom.

- É muito prestigio – eles não dão uma bolsa de estudos como premio todos os anos.

- Aposto que não.

Ela me olhou e desviou o olhar rapidamente. – O banco em Seattle que cuida da fundação me encaminhou para um homem que administra a distribuição das bolsas. Ele disse que essa bolsa é entregue baseada no mérito, sexo e localização. É direcionada a estudantes mulheres em cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em cidades maiores.

Parecia que alguém achava que estava sendo engraçado.

- Mérito? – eu perguntei desaprovadoramente. – Eu estou na média, tiro notas oito. Posso nomear três garotas em Forks com notas melhores do que eu, e uma delas é a Jessica. Além do que – eu nunca me inscrevi para nenhuma bolsa de estudos.

Ela estava muito perturbada agora, pegando a caneta e deixando-a cair de novo, mexendo no pingente que usava entre o dedão e o indicador. Ela olhou pelas notas outra vez.

- Ele mencionou que – ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer com a minha reação. – Eles não recebem inscrições. Eles pegam as inscrições rejeitadas para outras bolsas e escolhem alunos que acham que foram olhados com pouco caso. Eles acharam o seu nome em uma inscrição que você mandou para receber uma bolsa por mérito para a Universidade de Washington.

Eu senti os cantos da minha boca caírem. Eu não sabia que aquela inscrição tinha sido rejeitada. Era algo que eu tinha preenchido há tanto tempo, antes de…

Eu não tinha tentando nenhuma outra possibilidade, embora os prazos de entrega para as inscrições estavam passando. Eu não conseguia me concentrar no futuro. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que podia me manter perto de Forks e do Charlie.

- Como eles conseguem as inscrições rejeitadas? – eu perguntei monotonamente.

- Não tenho certeza, querida – a Sra. Gerandy estava triste. Ela queria animação e estava conseguindo hostilidade. Eu queria que tivesse um jeito de explicar que toda a negatividade não era para ela. – Mas o administrador deixou o numero do telefone dele se eu tivesse alguma pergunta – pode ligar você mesma. Eu tenho certeza de que ele pode garantir que esse dinheiro é mesmo para você.

Eu fiquei na dúvida com essa. – Eu gostaria do número dele.

Ela escreveu depressa em um pedaço de papel amassado. Tomei nota mental de doar anonimamente alguns post its para o banco.

O número era de longa distância. – Ele não deixou nenhum email? – eu perguntei cética. Não queria aumentar demais a conta do Charlie.

- Na verdade, ele deixou – ela sorriu, feliz de ter algo que eu quisesse. Ela se esticou por cima da mesa para escrever outra coisa no papel.

- Obrigada, vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa – Minha boca era uma linha fina.

- Querida – a Sra. Gerandy disse hesitante. – Você deveria ficar feliz com isso. É uma grande oportunidade.

- Eu não vou receber vinte mil dólares sem merecer – eu rebati, tentando manter um tom de insulto fora da minha voz.

Ela mordeu o lábio e olhou para baixo de novo. Ela achava que eu era doida também. Bem, eu iria fazê-la falar em voz alta.

- O que? – eu exigi.

- Bella… – ela pausou e eu esperei de dentes cerrados. – É muito mais que vinte mil dólares.

- Perdão? – eu engasguei. – Mais?

- Vinte mil dólares é o pagamento inicial, no caso. De agora em diante você receberá cinco mil dólares todos os meses até o final de sua carreira acadêmica. Se você se matricular em uma faculdade, a fundação vai continuar a paga-la! – ela ficou animada outra vez enquanto me contava isso.

Eu não consegui falar a principio, estava lívida de fúria. Cinco mil dólares por tempo ilimitado. Eu queria esmagar alguma coisa.

- Como? – eu consegui dizer.

- Não entendo o que quer dizer.

- Como eu vou receber cinco mil dólares por mês?

- Será depositado na sua conta aqui – ela respondeu, perplexa.

Houve uma pausa pequena.

- Vou fechar essa conta agora – eu disse numa voz seca.

Levou quinze minutos para eu convencê-la de que estava falando a verdade. Ela tinha um suprimento inesgotável de razões do quê isso era uma má idéia. Eu discuti nervosa até que finalmente me ocorreu que ela estava preocupada em me dar os vinte mil. Eles tinham tanto dinheiro assim por aqui?

- Olha, Sra. Gerandy – eu a assegurei. – Eu só quero sacar meus 1500 dólares Iria agradecer muito se você devolvesse o resto do dinheiro para a conta de onde ele veio. Eu vou resolver isso com esse – eu olhei o papel – Sr. Issac Randall. É realmente um erro.

Isso pareceu tranqüilizá-la.

Uns vinte minutos mais tarde, com 15 rolinhos de notas de cem, uma de vinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e mais cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficara lado a lado no balcão, me encarando de olhos arregalados.

***

Cena dois: a mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira vez…

Eu fechei a porta atrás de mim e tirei o meu fundo da faculdade do bolso. Parecia bem pequeno na palma da minha mão. Enfiei tudo no dedão de uma meia sem par e coloquei na gaveta de calcinhas. Provavelmente não era o lugar mais original, mas eu me preocuparia em ser criativa depois.

No outro bolso estava o pedaço rasgado de papel com o numero do telefone e email do Isaac Randall. Eu tirei de lá e coloquei perto do teclado do meu computador, então liguei, batendo o pé enquanto a tela lentamente brilhava para a vida.

Depois que eu me conectei, abri minha conta de email gratuita. Eu adiei, dando tempo para deletar a montanha de spam que tinha se criado nos poucos dias desde que eu tinha escrito o email para a Renée. Eventualmente eu fiquei sem ter o que fazer, e abri uma caixa para escrever uma nova mensagem.

O email era endereçado a “irandall”, então eu presumi que iria diretamente ao homem que eu queria.

Caro Sr. Randall, ­eu escrevi.

Espero que você se lembra da conversa que teve nesta manha com a Sra. Gerandy, do Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a impressão que eu fui premiada com uma bolsa de estudos muito generosa da Fundação Pacífica do Noroeste.

Peço desculpas, mas eu não posso aceitar essa bolsa. Eu pedi para que o dinheiro que eu já recebi seja devolvido para a conta de onde ele veio, e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outra pessoa para um candidato diferente.

Obrigada, I. Swan

Tentei algumas vezes até deixar pronto – formal, sem duplos sentidos. Eu li mais duas vezes antes de enviá-lo. Não tinha certeza que tipo de instruções esse Sr. Randall havia recebido sobre a falsa bolsa de estudos, mas eu não conseguia ver nenhum furo em minha resposta.

***

Cena três: algumas semanas depois, logo depois do “encontro” de Bella e Jacob com as motos…

Quando eu voltei, peguei a correspondência na entrada. Passei rapidamente pelas contas e anúncios, até que cheguei a ultima carta da pilha.

Era um envelope normal de negócios, endereçado a mim – meu nome escrito a mão, o que era incomum. Eu olhei para o endereço de retorno interessada.

Interesse que rapidamente virou náusea. A carta era da Divisão de Bolsas de Estudo da Fundação Pacífica do Noroeste. Não havia endereço de rua embaixo do nome.

Era só o reconhecimento oficial da minha recusa, eu disse a mim mesma. Não havia razão para se sentir nervosa. Nenhum razão, exceto pelo pequeno detalhe que se eu pensasse sobre qualquer parte disso muito a fundo, eu podia ir em espiral direto para terra zumbi. Só isso.

Eu joguei o resto da correspondência na mesa para o Charlie, juntei meus livros do chão da sala de estar, e corri para cima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a porta e rasguei o lacre do envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a chave.

Cara Srta. Swan,

Permita-me parabenizá-la formalmente por ser premiada com a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls da Fundação Pacífica do Noroeste. Essa bolsa de estudos não é concedida frequentemente, e você deveria ficar orgulhosa em saber que o Comitê de Bolsas de Estudo escolheu o seu nome unanimemente para receber a honra.

Tem havido algumas dificuldades em entregar o dinheiro do seu prêmio, mas por favor, não se preocupe. Eu mesmo vou garantir que você não tenha nem a menor das inconveniências. Você encontrará junto com essa carta um cheque próprio de vinte e cinco mil dólares; a bolsa inicial mais o seu primeiro auxilio mensal.

Mais uma vez eu a parabenizo por sua conquista. Por favor aceite os melhores desejos de sucesso de toda a Corporação Pacífica do Noroeste para a sua carreira acadêmica.

Atenciosamente,

I. Randall

Raiva não era o problema.

Eu olhei para o envelope e, claro, lá estava o cheque.

- Quem é essa gente? – eu rosnei entre dentes, amassando a carta, com uma mão só, até virar uma bola apertada.

Eu pisei furiosamente até a lata de lixo, para achar o número de telefone do Sr. I. Randall. Não estava nem aí que era chamada de longa distancia – essa seria uma conversa bem curta.

- Ah, merda – eu sibilei. A lata estava vazia. Charlie tinha tirado o lixo.

Eu joguei o envelope com o cheque na cama e alisei a carta. Era feita em papel de empresa, com as palavras Departamento Das Bolsas de Estudo da Fundação Pacifica do Noroeste escritas em verde escuro na parte de cima, mas não havia nenhuma informação, nenhum telefone.

- Que porcaria.

Eu caí na beirada da minha cama para pensar com clareza. Obviamente, eles iriam me ignorar. Eu não podia ter deixado minhas intenções mais claras, então isso não tinha nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença alguma se eu ligasse.

Então havia só uma coisa a ser feita.

Eu amassei o envelope com o cheque outra vez e desci a escada.

Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada alto.

Fui até a pia e coloque as bolas de papel nela. Então eu remexi a nossa gaveta de porcarias até achar uma caixa de fósforos. Eu risquei um, e encostei cuidadosamente numa fissura do papel. Risquei mais um, e fiz a mesma coisa. Quase fui para um terceiro, mas o papel já estava em chamas alegres, então não tinha necessidade.

- Bella? – Charlie chamou mais alto que a TV.

Eu girei a torneira rapidamente, sentindo satisfação quando a água bateu nas chamas, transformando tudo numa meleca fedida.

- Sim, pai? – eu coloquei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei silenciosamente.

- Está sentindo cheiro de queimado?

- Não, pai.

- Hmm.

Eu limpei a pia, me certificando que toda a gosma tinha descido pelo cano, e então liguei o triturador de lixo para garantir.

Voltei para o meu quarto, me sentindo muito mais calma. Eles podiam mandar quantos cheques eles quisessem, eu pensei cruelmente. Eu sempre podia comprar mais fósforos quando aqueles acabassem.

***

Cena quatro: durante o tempo que Jacob a está evitando…

Na soleira da porta tinha um pacote do FedEx. Eu peguei curiosamente, esperando um endereço da Florida, mas era de Seattle. Não havia nenhum remetente listado do lado de fora da caixa.

Estava endereçado a mim, não ao Charlie, então eu o levei para a mesa e rasguei o lacre para abrir.

Assim que eu vi a letra verde do logo da Fundação Pacifica do Noroeste, eu senti como se a infecção do estomago tivesse voltado. Desabei na cadeira mais próxima, encarando a carta, a raiva crescendo lentamente.

Eu nem conseguia me fazer lê-la, embora não fosse longa. Eu retirei de dentro, coloquei de cabeça para baixo na mesa, e olhei de volta para a caixa, relutante, para ver o que tinha. Era um envelope grosso feito em papel-manilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raiva o suficiente para tirá-lo lá de dentro.

Minha boca se tornou uma linha dura conforme eu rasgava o papel, sem me importar com o selo. Eu já tinha bastante com o que lidar no momento. Não precisava da lembrança nem da irritação.

Eu fiquei chocada, e mesmo assim, surpresa. O que mais poderia seria senão isso – três montes espessos de notas, empilhados com elásticos grossos? Eu nem tinha que olhar para os números. Sabia exatamente o quanto eles estariam tentando forçar para mim. Seriam trinta mil dólares.

Eu peguei o envelope cuidadosamente quando levantei, e me virei para jogá-lo na pia. Os fósforos estavam bem em cima na gaveta de tranqueiras, bem onde eu tinha deixado. Eu tirei um e o acendi.

O fogo foi chegando cada vez mais perto e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava o envelope idiota. Não conseguia fazer meus dedos o deixarem cair. Balancei o fósforo antes que ele me queimasse, meu rosto se transformando numa careta de nojo.

Eu peguei a carta da mesa, amassando até que virasse uma bola, e jogando outra divisão da pia. Acendi outro fósforo e o encostei no papel, observando com um prazer sinistro enquanto o fogo o consumia. Esquentou rápido. Me estiquei para pegar outro fósforo. Outra vez, eu o segurei, queimando, perto do envelope. De novo, queimou quase até os meus dedos antes que eu jogasse no envelope que já era um monte de cinzas. Mas eu não conseguia simplesmente queimar trinta mil dólares.

Então o que eu ia fazer com o dinheiro? Não tinha endereço para retorno – eu tinha quase certeza que a companhia nem existia.

Então me ocorreu que eu tinha sim, outro endereço.

Coloquei o dinheiro dentro da caixa do FedEX, tirando a etiqueta de destinatário, para o caso de se alguém encontrasse a caixa, não teria como me ligar ao dinheiro, e voltei para a minha picape, resmungando incoerentemente pelo caminho. Eu prometi a mim mesma que iria fazer algo especialmente imprudente com a moto essa semana. Eu pularia no ar se precisasse.

Eu odiei cada metro da viagem enquanto passava pelas arvores sombrias, trincando os dentes até que meu maxilar doesse. Os pesadelos seriam horríveis essa noite – eu estava provocando. As árvores se abriram nas samambaias, eu dirigi mais rápido e com mais raiva por elas, deixando uma marca dupla de galhos quebrados e molhados atrás de mim. Eu parei quase nos degraus da frente, deixando na banguela.

A casa estava exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava projetando meus sentimentos à aparência dela, mas isso não mudava o jeito que ela parecia pra mim. Tomando cuidado para não olhar pelas janelas, eu andei até a porta da frente. Eu desejei desesperadamente para ser o zumbi por só um minuto, mas a dormência tinha ido embora para sempre.

Eu deixei a caixa cuidadosamente no degrau da casa abandonada, e me virei para ir embora.

Eu parei no primeiro degrau. Não podia só deixar uma pilha de dinheiro na frente da porta. Era quase tão ruim quanto queimá-la.

Com um suspiro, mantendo meus olhos baixos, eu virei e peguei a caixa ofensiva. Talvez eu doasse anonimamente para uma boa causa. Caridade para pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.

Mas eu estava sacudindo a cabeça quando voltei para a picape. Era o dinheiro dele, e, droga, ele ia ficar com ele. Se fosse roubado da frente da casa dele, então era culpa dele, e não minha.

Minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu só atirei a caixa na direção da porta com o Maximo de força que pude reunir.

Eu nunca tinha tido a melhor pontaria. A caixa se chocou ruidosamente contra a janela da frente, deixando um buraco tão grande que era como se eu tivesse jogado uma maquina de levar.

- Ah, que merda! – eu ofeguei em voz alta, cobrindo meu rosto com as mãos.

Eu devia ter sabido que, não importa o que eu fizesse, só deixaria as coisas piores.

Por sorte, o ódio voltou nessa hora. Isso era culpa dele, eu me lembrei. Eu só estava devolvendo as coisas dele. Era problema dele se ele tinha tornado essa tarefa tão difícil. Além do mais, o barulho do vidro quebrando era legal – me fez sentir um pouco melhor, de um jeito perverso.

Eu não tinha me convencido completamente, mas eu tirei a picape da banguela e dirigi de volta mesmo assim. Isso era o mais próximo de devolver o dinheiro para onde ele pertencia. E agora eu tinha feito uma caixa de correio pra lá de boa para as contas dos próximos meses. Era o melhor que eu podia fazer.

Eu repensei cem vezes depois que cheguei em casa. Procurei na agenda de telefones, algum número para vidraceiros, mas não tinha ninguém desconhecido para me ajudar. E como eu explicaria o endereço? O Charlie me prenderia por vandalismo?

***

Cena cinco: a primeira noite que Alice volta depois de ver Bella “cometendo suicídio”…

- Jasper não quis vir com você?

- Ele não aprova a minha interferência.

Eu funguei. – Você não é a única.

Ela ficou rígida, depois relaxou. – Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela da frente da minha casa e uma caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de estar?

- Tem sim – eu disse nervosa. – Desculpe pela janela. Foi um acidente.

- Normalmente é assim com você. O que ele fez?

- Algo chamado Fundação Pacifica do Noroeste me premiou com uma bolsa de estudos muito estranha e persistente. Não foi bem disfarçado. Quer dizer, eu não posso imaginar que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele ao pense que eu sou assim tão burra.

- Por que, aquele traidor…? – Alice murmurou.

- Exatamente.

- E ele me disse para não olhar – Ela sacudiu a cabeça, irritada.

***

Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto da Bella…

- Tem algum motivo pelo qual o perigo não pode resistir a você mais que eu resisto?

- O perigo não tenta – eu murmurei.

- É claro, parece que você andou muito ocupada procurando pelo perigo. O que você estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça do Charlie o numero de vezes que você foi para o pronto socorro. Mencionei que estou bravo com você?

A voz dele parecia mais magoada do que nervosa.

- Por quê? Não é da sua conta – eu disse, envergonhada.

- Na verdade, eu me lembro de você me prometendo especificamente não fazer nada imprudente.

Minha resposta foi rápida. – E você não me prometeu algo sobre “não interferir”?

- Enquanto você estava quebrando sua promessa – ele qualificou cuidadosamente. – eu estava mantendo meu lado do acordo.

- Ah, verdade? Três palavras, Edward: Fundação. Pacifica. Noroeste.

Ele ergueu a cabeça para me olhar; sua expressão era confusa e inocente – inocente demais. Foi ela que o entregou. – É pra isso fazer algum sentido para mim?

- Isso é insultante – eu reclamei. – Você acha que eu sou assim tão burra?

- Eu não tenho idéia do que você está falando – ele disse, olhos arregalados.

- Que seja – eu resmunguei.

***

Cena sete, a conclusão desse extra: na mesma noite/manhã, quando eles chegam na casa dos Cullen para a votação…

De repente, a luz da varanda acendeu, e eu pude ver Esme parada à porta. Seu cabelo caramelo ondulado para trás, e ela tinha algum tipo de toalha na mão.

- Estão todos em casa? – eu perguntei esperançosamente quando subimos as escadas.

- Sim, estão – Quando ela falou, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei atrás da mais próxima para ver quem tinha nos notado, mas a panela cheia de estilhaços grossos e cinzas na frente da janela chamou a minha atenção. Eu olhei para a perfeição do vidro, e percebi o que a Esme estava fazendo na varanda com uma toalha.

- Ah, droga, Esme! Sinto muito mesmo pela janela! Eu ia -

- Não se preocupe – ela me interrompeu com uma risada. – Alice me contou a historia, e tenho que dizer, eu não teria culpado você por ter feito isso de propósito – Ela olhou para seu filho, que estava me encarando.

Eu levantei uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou algo indistinto sobre cavalos dados